Consumidor rejeita transgênicos, diz Idec
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 20 de março de 2001
Vânia Casado De Curitiba 
A população, de forma geral, pode não entender o significado de alimentos transgênicos. Mas aprendeu a equacionar seu consumo tendo como parâmetros os riscos e benefícios dos produtos. Foi assim que a presidente do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), Marilena Lazzarini, abriu sua palestra ontem em Curitiba no encontro Brasil-Grã-Bretanha de Plantas Transgênicas.
Antes da palestra, os organizadores exibiram um vídeo com diversas entrevistas feitas com a população que revelou total desconhecimento sobre o que significa produtos transgênicos. Para Marilena, o consumidor pode não saber do que se trata, mas tem a percepção do que é bom para a sua saúde ou não. Assim como rejeita um alimento transgênico porque acredita que fará mal a sua saúde, não rejeita um medicamento de alta tecnologia que poderá livrá-lo de uma doença, citou como exemplo.
Enquanto isso, os defensores da introdução dos alimentos transgênicos, tentam vender para a opinião pública a idéia de que está havendo desconhecimento e tudo não passa de um problema de comunicação.
Por outro lado, Marilena salientou que os membros do Idec estão devidamente preparados para enfrentar qualquer debate à respeito de produtos transgênicos. Os técnico, observou, inclusive participaram da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), representando o consumidor. A presidente do Idec abordou a rejeição não só do consumidor brasileiro, mas também do consumidor inglês a respeito de produtos transgênicos.
A preocupação desses consumidores é que se esses produtos forem liberados, serão consumidos em derivados da soja, milho, trigo que são alimentos básicos. O que está em jogo é a mudança da base alimentar de populações inteiras, alertou Marilena.
Para a representante dos consumidores, o cerne da questão está no fato de que os governos estão autorizando esses produtos de forma precipitada, sem a devida avaliação de riscos e sem respeitar o direito de escolha e informação do consumidor. O Idec está pleiteando na Justiça, caso os OGMs (Organismos Geneticamente Modificados), a necessidade de rotulagem que identifica esses produtos aos consumidores.
Para a presidente do Idec, os pesquisadores não apresentam resultados com os
impactos provocados pelos produtos transgênicos sobre o meio ambiente e a saúde da população, a médio e longo prazo. Até agora, A CTNbio só apresentou resultados de exames de toxidade aguda, de curtíssimo prazo, e não exigiu estudos sobre toxidade crônica.


