Curitiba - Pelo menos um segmento da economia não tem muito a reclamar da política do governo federal de manter a taxa de juros nas alturas. As administradoras de consórcios brasileiras registraram um crescimento de 6,6% no volume de cotas vendidas no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período em 2002. A perspectiva de fugir da ciranda dos juros tem feito com que cada vez mais consumidores optem pelo consórcio para adquirir seus bens, em vez de contrair empréstimos junto a bancos e empresas de crédito pessoal.
Para o presidente da Associação Brasileira das Administradores de Consórcios (ABAC) no Paraná, Rodolfo Montosa, o crescimento poderia ter sido ainda maior. ''Tivemos um período de incerteza econômica em todo o mundo em março com a guerra no Iraque, que teve reflexos no Brasil. Mas a política adotada pelo governo, apaziguando as especulações, deve aumentar a confiança do consumidor. Esperamos que, no final do ano, o crescimento do mercado em relação ao ano passado seja de 15%'', comentou Montosa. Em dezembro de 2002, 2,88 milhões de brasileiros optaram pelo consórcio como meio de adquirir bens.
Na avaliação de Montosa, a manutenção da taxa básica de juros em 26,5% pelo Banco Central não prejudica o sistema de consórcios. ''O consórcio é uma alternativa inteligente para um sistema financeiro que mantém os juros altos, pois ele permite ao consumidor programar seus gastos. Entretanto, uma queda na taxa de juros também não prejudicaria o mercado. Nesse caso, teríamos mais consumidores em condição de utilizar o sistema'', afirmou Montosa.
Um dos setores que registra mais crescimento segundo os dados da ABAC é o consórcio de imóveis. O levantamento da entidade apontou um crescimento de 26% no total de participantes ativos nessa modalidade em relação a março do ano passado. No total, 128,7 mil brasileiros estão utilizando o consórcio para comprar sua casa própria. Apesar da ABAC não possuir dados sobre a quantidade de paranaenses que utilizam o sistema, Montosa ressalta que a média de crescimento do número de consorciados no Estado historicamente não difere muito da média nacional.
Quem está tentando trocar o aluguel pela casa própria também tem encontrado alternativas nos consórcios. A Cooperativa de Trabalho dos Corretores de Imóveis do Brasil (Correto) lançou no final de março um sistema que prevê o pagamento de parcelas menores pelo usuário até a contemplação. O objetivo é permitir as pessoas que estejam pagando aluguel não sofram o impacto de ter a parcela mensal do consórcio em sua totalidade somada a seu orçamento mensal.

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