Nos supermercados de Londrina, o discurso mais comum entre os consumidores é de que os preços estão altos e de que tem ficado mais difícil encher o carrinho. Se eles reconhecem que realmente passaram a comprar alimentos de maior valor agregado em algum momento nos últimos cinco anos, é o peso da inflação no bolso desde o ano passado que está mais na ponta da língua do que a carne ou o iogurte.
A auxiliar de cozinha Maria Oliveira Costa diz que percebeu que o salário melhorou de uns anos para cá e passou a comprar o que anteriormente eram supérfluos. "Compro mais frutas e mais carnes do que há cinco anos, mas varia muito de uma hora para a outra. É aquela coisa, o preço está caro e tenho de correr atrás de promoções."
Na casa da comerciante Ana Maria Miranda, todos passaram a ter uma dieta mais balanceada, com mais frutas, mas o orçamento atual passou a ser mais controlado. "Há cinco anos era diferente e acho que deu uma melhorada, mas, de um ano para cá, caiu um pouco. Sou comerciante e sei o quanto está difícil", diz. Mesma percepção da dentista Luciana Takahira, que diz que passou a comprar mais uvas finas, cogumelos frescos e alimentos prontos de cinco anos para cá. "A economia melhorou, a renda subiu e agora está caindo. Queria que voltasse a ser como antes."
A assessora da Comissão Técnica de Bovinocultura de Leite da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Maria Silvia Digiovani, cita pesquisa que aponta que a média brasileira de consumo do produto e de derivados foi de 141 kg em 2008 e cresceu anualmente até os 168 kg de 2011. Porém, o número foi repetido no ano passado.
Entre 2011 e 2012, a produção de leite no Brasil passou de 32,096 bilhões de litros para 32,304 bilhões, alta de apenas 0,64%. Média de crescimento bem inferior à dos últimos 15 anos, de 3,74%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). (F.G.)

mockup