Rio - A queda de 4,4% na confiança dos consumidores que recebem até R$ 2.100,00 por mês puxou o recuo de 1,6% no Índice de Confiança do Consumidor (ICC) em abril, frente a março, na série com ajuste sazonal, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV). O desempenho do índice, calculado dentro de uma escala de pontuação de até 200 pontos, passou de 120,1 para 118,2 pontos, o menor nível desde maio do ano passado, quando atingiu o patamar de 116,8 pontos.
Em março, quem influenciou a queda de 2% no ICC frente a fevereiro foram os consumidores com faixa de renda mais alta, que recebem mais de R$ 9.600,00 mensais, cuja confiança registrou recuo de 5,5%. ''Os consumidores da faixa de renda mais alta já percebiam em março que a inflação resultaria num aumento de juros. Agora, esse sentimento está mais generalizado em todas as faixas de renda, mas foi maior entre a baixa renda. Houve queda no otimismo em relação às perspectivas para o cenário econômico mesmo, para o mercado de trabalho, embora o consumidor ainda faça uma avaliação favorável da sua própria situação financeira'', disse o superintendente adjunto de Ciclos Econômicos da FGV, Aloísio Campelo.
O ICC de abril mostra que o consumidor espera inflação de 7% para os próximos 12 meses, ante expectativa de inflação de 7,1% registrada na leitura anterior. Os analistas ouvidos pelo Banco Central no Boletim Focus esperam uma inflação pelo IPCA de 5,42% para os próximos 12 meses.
''O consumidor tende a ser otimista. Mas, pelo segundo mês consecutivo, a expectativa sobre a situação econômica está abaixo da média que consideramos de otimista. Há um pessimismo moderado em relação à economia do País no curto prazo. O consumidor está cauteloso sobre a possibilidade de poder comprar, porque ele percebe que a situação financeira da família dele não deve melhorar, deve se estabilizar'', disse Campelo.
A fatia de entrevistados que espera aumento dos juros passou de 68,5% em março para 65,4% em abril. Também aumentou a porcentagem dos que acreditam que a taxa de juros vai cair. Essa parcela de consumidores subiu de 2,1% em março para 3% em abril.

mockup