A desoneração da conta de luz é ''muito positiva'' para o consumidor. Mas é uma medida ''transitória''. ''O governo pode dar com uma mão e tirar com a outra.'' Quem diz isso é o gerente do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), Carlos Thadeu de Oliveira.
Para ele, a sociedade terá de ficar atenta em relação ao processo de renegociação dos atuais contratos das concessionárias. ''Precisamos ficar atentos para essa segunda fase. Se não ficarem claros os critérios que a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) vai utilizar na renegociação, o consumidor pode ser prejudicado'', afirma.
Ele diz esperar que o governo ''lance mão'' dos dados que os Procons reúnem sobre as operadoras e fixe metas de melhorias. ''Precisa ser um processo transparente'', alega. Oliveira ressalta que a energia brasileira é uma das mais caras do mundo. ''São R$ 0,33 por kilowatt hora no Brasil, R$ 0,31 na França e R$ 0,23 nos Estados Unidos'', conta.
Pagando em média R$ 85 pela energia em sua residência e mais R$ 85 na loja, a comerciante londrinense Aparecida de Fátima Correa comemorou a medida anunciada ontem pela presidente Dilma Rousseff. ''A luz está muito cara. A redução vem em boa hora'', afirma. Já o corretor de imóveis Moacir Emílio de Souza tem receio de que o pacote ''fique só na conversa''. Tendo pago uma conta de R$ 118 neste mês, ele declara: ''Se for verdade, será muito bom''.
Também desconfiada está a artista plástica Nanci Fátima Camargo Fenner. ''Estamos habituados a ouvir coisas que depois não se concretizam. Se for verdade, será ótimo'', afirma ela que gasta R$ 25 de energia no ateliê e R$ 150 na casa. Com uma despesa de mais de R$ 300 mensais pela energia de casa e da loja, a comerciante Elisângela Roberto diz que a medida é um ''alívio''. ''Eu assustei quando recebi a última conta de R$ 180. Está muito caro'', reclama. (N.B.)

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