O economista Flávio Oliveira dos Santos afirma que o brasileiro não tem para onde correr e que uma das soluções seria pedir mais clareza do governo em relação à cobrança de impostos. ''Acho até que o consumidor tem interesse de saber o quanto paga de imposto em cada produto, mas não tem essa cultura. Penso que existe até um sentimento de impotência: saber isso pra quê, cobrar de quem?'', questiona Santos. Para ele, essa cobrança fica ainda mais difícil quando o produto em questão é alimento, principalmente os perecíveis.
Segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), a questão é que a tributação dos alimentos, para a grande maioria das pessoas, é algo distante, pois elas não sabem quanto pagam de imposto cada vez que compram um produto. E, segundo a entidade, infelizmente não há destaque na nota fiscal da quantia de tributos embutida no preço final dos produtos alimentícios.
O diretor técnico do IBPT, João Elói Olenike, também afirma que o consumidor deveria ''brigar'' e exigir a especificação dos tributos nas embalagens dos produtos. ''Isso criaria um sentimento maior de cidadania. Tributo mexe com o bolso, então o consumidor tem o direito de saber quanto paga'', reforça.
Questionado se a implantação do Imposto Único resolveria parte do problema da carga tributária, Olenike aponta que essa não é a solução. ''A questão não é existir apenas um imposto. Pode até existir vários tributos, a questão é que deveriam ter alíquotas mais baixas. Valores que a população pudesse pagar'', enfatiza, lembrando que a cada ano os valores cobrados são mais absurdos. O diretor técnico salienta que, em relação à essencialidade dos produtos alimentícios, deveria até haver isenção de tributos.
Segundo o impostômetro da Associação Comercial de São Paulo, a arrecadação total no País cruzou a barreira de R$ 700 bilhões só este ano. Uma parte dessa polpuda quantia está presente nas compras do dia-a-dia.(E.Z.)

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