O coordenador do projeto de educação financeira sustentável na Universidade Estadual de Maringá (UEM), Antônio Zotarelli, ensina que mudanças simples de comportamento em supermercados podem fazer com que uma pessoa economize R$ 2 mil em um ano. O exemplo mais simples é o da pesquisa de preços.
Como a desculpa da correria do dia a dia pode aparecer, o professor explica que é possível poupar 20%, em média, apenas se a pessoa for aos dois supermercados mais próximos da residência e comprar os itens mais baratos em cada local. "É algo prático, que comprovamos com pesquisa feita por alunos. E o interessante é que, normalmente, metade dos produtos são mais baratos em um lugar e metade, no outro."
A conta é simples. O preço da cesta básica em Londrina no mês de maio, segundo pesquisa da Faculdade Pitágoras, foi de R$ 849,90 para uma família de dois adultos e duas crianças. Os 20% de economia que a pesquisa sugere são R$ 169,98 no mês, ou R$ 2.039,76 em um ano. Dinheiro que, se poupado, pode ser usado para uma viagem ou para comprar uma geladeira nova, por exemplo. E Zotarelli vai além. "Em dez anos, dá R$ 20 mil, sem contar os juros. Se tiver disciplina e formar uma conta de patrimônio futuro, será em seu benefício."
Ele sugere outras práticas que evitam o aumento de custos com alimentação, como fazer uma lista do que se precisa para evitar compras desnecessárias (até 10%), não ir ao supermercado com fome (até 22%), não levar crianças (até 26%), trocar marcas caras por substitutos mais em conta (até 15%), usar produtos com refil e pagar em dinheiro vivo. "O pagamento com cartão ou cheque parece não nos sensibilizar sobre o orçamento."

Disciplina
Pagar por uma viagem com a família sem entrar em financiamento pode parecer distante para quem mal consegue fechar o mês com o saldo positivo no banco. Não é. Apesar de exigir disciplina, pequenas mudanças nos hábitos de consumo podem fazer com que uma pessoa termine o período de um ano com boa reserva financeira e sem cabelos brancos. Então é bom começar logo e uma segunda-feira é sempre um bom dia.
O assunto parece notícia velha, mas uma pesquisa de maio da Serasa Experian apontou que a maioria das pessoas tem conhecimento sobre educação financeira e não aplica. Diretor do campus Londrina da Pontifícia Universidade Católica (PUC), o consultor de finanças pessoais e empresariais Charles Vezozzo afirma que o primeiro passo é visualizar tudo o que se recebe e se gasta em uma planilha. "Não adianta dizer ‘eu sei’ e não colocar no papel. Se visualizar a situação financeira vai perceber a diferença", conta.
Ele diz que da mesma forma que uma pessoa gasta tudo o que ganha e vê as dívidas crescer, ela pode ver o saldo engordar. Deixar de pagar R$ 1 no cafezinho ao dia parece pouco. São R$ 30 no mês e em um ano, R$ 360. Nada contra os donos de lanchonete e os produtores de café, mas exemplifica o efeito de bola de neve no orçamento familiar. Zotarelli completa que é apenas o caso de se planejar. "Não é que a pessoa tenha de passar necessidade, mas de ver se o gasto é necessário."
Por isso, é importante classificar os custos por prioridade. Vezozzo os divide em três grupos, com moradia, transporte, alimentação e saúde como os inevitáveis. Na sequência entram a capacitação profissional, a educação e planos médicos privados. Por fim aparecem passatempos e viagens. Zotarelli lembra, porém, da velha regra de usar no máximo 30% do que se ganha em habitação. "Se passar disso, tem de buscar um aluguel mais barato em um lugar mais afastado."

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