O possível aumento do combustível (especula-se um índice na faixa de 18% a 21%) que deve ser anunciado nos próximos dias pelo governo federal já revolta os consumidores, que planejam cortes radicais no consumo. ‘‘Vou passar a andar mais a p钒, diz ontem a dona-de-casa Leila de Oliveira. Ela já deixou de levar os filhos à escola de carro há cerca de três meses para cortar gastos. ‘‘Foi um choque. Moro em Warta e trago meus filhos para estudar em Londrina. Percorro 80 quilômetros diariamente’’, afirma, também indignada, a dona-de-casa Francesca Morelio.
O office boy Rodrigo Teixeira comprou uma moto há dois meses para não ter que usar tanto seu carro. ‘‘A partir de agora, uso o carro apenas para fugir da chuva’’, disse ele, reclamando de se considerar roubado pelo governo com este novo aumento. ‘‘Com o valor de um litro de gasolina dá para comprar três litros de leite’’.
A bicicleta sempre foi utilizada como uma alternativa de economia pelo mecânico José Lázaro, de Sertanópolis. O corretor de imóveis Lúcio Costa contabiliza o aumento como prejuízo certo. ‘‘Para mostrar as casas tenho que circular pela cidade inteira. Se não levar os clientes, não consigo vender’’, diz, acrescentando que consome 200 litros por mês.
O comerciante Marcio Cesar também não vê saída para fugir da alta dos combustíveis. ‘‘Moro em Cambé e venho a Londrina três vezes por semana. Gasto R$ 160 por mês de gasolina mas não posso repassar o aumento para os preços das mercadorias’’.
O diretor do Sindicombustíveis em Londrina, Valter Sasso, diz que não acredita em um aumento superior a 15% – o índice e data do aumento não foram confirmados pelo governo. Ele lembra que o preço do barril recuou e o dólar comercial está estabilizado em R$ 1,80. Somado a este índice, porém, deve ser computada a alta decorrente do fim da guerra das liminares do PIS/Cofins, segundo ele. ‘‘Até amanhã, os postos devem aumentar o preço da gasolina em R$ 0,10 por causa do imposto. Hoje, o preço do litro da gasolina varia de R$ 1,25 a R$ 1,35 em Londrina’’, diz.

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