Consumidor paga mais caro pela carne de boi
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quinta-feira, 15 de maio de 2008
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
As carnes - itens indispensáveis na alimentação da maioria dos brasileiros - tiveram reajuste superior a 16% nos últimos 12 meses no varejo paranaense. O índice é bem maior do que a inflação oficial do País, que ficou na casa dos 3%. Pesquisa feita pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, indica que o maior aumento de preços ocorreu na carne bovina, principalmente, em cortes menos valorizados como o acém, cujo preço médio aumentou 24%. Os menores índices foram registrados no preço da carne suína (+16,4% no custo do lombo) e no frango congelado (+16,5%).
Nos três casos os reajustes foram motivados pelo aumento das demandas interna e externa por proteína animal devido ao aumento da renda dos trabalhadores. Além disso, as perspectivas futuras continuam sendo de alta, indicando mercado firme com o aumento das exportações. Diferente do varejo, no atacado o maior reajuste de preços ocorreu no quilo da carcaça comum de suínos. Desde agosto do ano passado o aumento foi de 51%, enquanto o frango congelado teve seu preço reajustado em 13% e a carcaça casada bovina subiu 9%. O levantamento é do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agronomia Luiz de Queiroz e se refere apenas a São Paulo, o maior mercado consumidor do País.
''O mercado paulista serve de termômetro para as outras praças'', explica Thiago Bernardino de Carvalho, pesquisador do Setor Carnes do Cepea. Nesta primeira quinzena de maio o produto que mais foi valorizado foi o frango resfriado com reajuste de 9%, seguida pela carcaça suína comum (+7,8%) e pela carcaça casada bovina (+2,6%). ''Isso é reflexo do controle entre a oferta e a produção de suínos e frangos somada ao desempenho da economia'', analisa. Além disso, com a entrada do inverno aumenta o consumo da carne suína, principalmente, para o preparo de feijoadas. Segundo ele, a projeção é de alta nos preços de todas as carnes, puxada pelo aumento do emprego e da renda dos trabalhadores e pelo próprio desempenho da economia.
Consumo - Os consumidores acompanham a variação dos preços das carnes nas gôndolas dos supermercados e alternam o consumo caso a variação nos custos seja muito grande. É o caso do inspetor de qualidade Luciano Antônio de Araújo que percebeu um aumento médio de 20% nos preços da carne bovina neste mês com relação a abril. ''Sempre procuro cortes mais baratos. Se o coxão mole está muito caro vou para o patinho. Se a carne vermelha está cara compro mais frango, que também é uma carne saudável'', comenta. No entanto, quando há promoções de carne vermelha nos supermercados o consumo também é maior.
A empregada doméstica Marli Mendes também percebeu um aumento no preço da carne de boi. ''Quando sobe muito a gente compra menos porque não dá para ficar sem carne se não as crianças não comem'', comenta. No entanto, quando o reajuste é muito alto a família troca o boi pelo frango. Já a comerciante Sônia Spaini não tem o costume de acompanhar a variação de preços da carne porque não faz comida em casa durante a semana. ''Compramos carne para o final de semana, quando fazemos um churrasquinho. E como o consumo é pequeno não presto muito atenção nos preços'', diz.


