Consumidor paga cada vez mais caro pelo açúcar
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quinta-feira, 26 de janeiro de 2006
Erika Zanon<br> Reportagem Local 
O produto que deveria servir simplesmente para adoçar a ''vida'', tem deixado muito consumidor com gosto amargo na boca e alguns tostões a menos no bolso, na hora de fazer compras no supermercado. Só nos últimos dois meses, o preço do quilo do açúcar sofreu um reajuste de 27% no varejo, em Londrina. Já o acumulado de julho a janeiro totaliza uma inflação de 50,42%. O quilo do produto passou de R$ 0,75 em média, na metade de 2005, para R$ 1,14, no primeiro mês deste ano.
O aumento da demanda no mercado internacional, o período de entressafra da cana-de-açúcar e o aumento da demanda interna do álcool - por conta da entrada dos carros bicombustíveis, os quais exigem que uma maior parte da produção da cana seja destinada ao álcool - são apontados como os principais motivos para a alta do produto.
''O preço do açúcar tem subido todo dia, está disparado. O mercado está bastante aquecido nos últimos meses'', frisou Anísio Tormena, presidente da Associação dos Produtores de Álcool e Açúcar do Paraná (Alcoopar). Segundo ele, o preço tem subido porque o consumo - tanto de álcool como de açúcar - tem aumentado e a produção não tem acompanhado essa demanda. A oferta também tem sido menor nessa período, pois a produção de cana-de-açúcar vive a entressafra.
O economista Flávio Oliveira dos Santos ressaltou ainda que o preço do açúcar sofreu reajuste, pois os negócios no mercado internacional têm sido muito positivos para o País. ''O Brasil - um dos maiores exportadores de açúcar do mundo - venceu no ano passado uma briga com a Organização Mundial do Comércio (OMC) e derrubou algumas barreiras para a exportação'', disse ele.
Ele também citou a entrada em ''massa'' dos carros bicombustíveis no País, em 2005. ''Isso deve ter aumentado a demanda de cana para a produção de álcool, e consequentemente diminuído para o açúcar, encarecendo assim o produto'', pontuou.
Segundo o economista, quem acaba sofrendo com isso são os consumidores internos, que fecharam o ano pagando 50% a mais pelo quilo do produto. Santos, que realiza uma pesquisa mensal sobre os custos da cesta básica em Londrina, informou que em julho, o preço médio pago pelo consumidor pelo quilo do açúcar era de R$ 0,75. Na primeira semana de janeiro, o preço encontrado já girava em torno de R$ 1,14. ''O maior salto dos preços foi nos últimos 60 dias - 03 de novembro a 03 de janeiro - quando o preço pulou de R$ 0,89 para R$ 1,14'', lembrou.
Para o presidente da Alcoopar, o preço do açúcar não está diretamente ligado ao do álcool, já que o mix nas lavouras de cana é normalmente de 48% para a produção de açúcar e 52% para o álcool. ''As oscilações são pequenas. Os dois produtos são bem remunerados, o produtor não tem interesse em destinar uma maior produção para um produto ou para outro'', reforçou Tormena. Para a safra deste ano, que começa em março, as expectativas da associação são positivas, principalmente se esse período de estiagem não prevalecer. Quanto ao preço do açúcar, Tormena adiantou que não dá para fazer previsões.
Já na opinião do economista, o preço do produto deve se manter estável. ''Essa é a tendência, pois estamos em um ano de eleição e o Governo vai fazer de tudo para que o preço não suba mais'', completou Santos.


