Consumidor opta pela compra à vista
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terça-feira, 13 de outubro de 1998
Pedro Livoratti 
Na semana que antecedeu o Dia das Crianças o comércio de Londrina experimentou redução de 17,75% nas vendas a prazo, com aumento de 12,79% nas transações à vista, confirmando a tendência sentida nos últimos meses de que o consumidor está fugindo dos juros altos. Os números se referem respectivamente às consultas do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) e ao Protecheque da semana passada, em comparação ao mesmo período do ano passado. O maior movimento foi mesmo no sábado, antevéspera do Dia das Crianças. Produtos entre R$ 15,00 e R$ 35,00 sumiram das prateleiras, deixando claro que a procura maior é por produtos baratos.
O SCPC, que atende exclusivamente às vendas feitas no crediário, registrou 29.366 consultas entre segunda e sábado da semana passada. No ano passado, no mesmo período, foram feitas 34.488 consultas. Já o Protecheque, indicador de venda à vista, atendeu 11.433 chamadas este ano contra 10.136, em 97.
O presidente da Associação Comercial de Londrina (Acil), Valter Orsi, informou que, embora tenha ocorrido redução no comparativo das vendas deste ano em relação a 97, ocorreu migração para compras à vista. Ele destacou que o mês de outubro está se revelando melhor em vendas, possivelmente em virtude da campanha Festa da Criança do Comércio de Londrina, que promove o show da dupla infantil Sandi & Júnior, no parque Governador Ney Braga, no próximo domingo. O número de ingressos disponibilizados no comércio é de aproximadamente 25 mil. Até o final desta semana, a associação comercial acredita que estará distribuindo os 5 mil restantes.
As vendas do Dia das Crianças são o termômetro do varejo para mensurar o comportamento do consumidor no final do ano, em relação às vendas de Natal. Para o presidente da Acil, no entanto, ainda está muito cedo para traçar qualquer expectativa.
Tudo depende das decisões que o governo vai anunciar nos próximos dias, afirma Orsi. Segundo ele, o temor dos empresários é quanto a uma possível expansão da carga tributária, causando aumento de produtos e consequentemente retração das vendas. Ele adiantou, porém, que o plano da entidade para este final de ano é apostar promoções e com a apoio do poder público municipal.
O superintendente do Catuaí Shopping Center, Eduardo Novaes, conta que as vendas na primeira quinzena de outubro cresceram 6% em relação ao mesmo período do ano anterior, surpreendendo os lojistas do shopping. Esperávamos ter vendas iguais ao Dia das Crianças passado, disse ele. No último final de semana, incluindo sexta-feira, sábado e domingo, o número de veículos registrados pelo shopping foi de 24,3 mil. Em comparação com o mesmo período de 97, houve um crescimento de 13,5% no fluxo de carros. Novaes afirma que grande parte das vendas do Dia das Crianças foi à vista. O consumidor também optou por parcelar as compras em até quatro vezes, sem juros.
No Carrefour, cerca de 22 mil pessoas passaram pela loja no último sábado e domingo, segundo o gerente Wilson Gama. Ele informou que foi registrado crescimento das vendas, praticamente zerando o estoque de brinquedos feito para o dia da criança. Segundo informou, os brinquedos na faixa de R$ 15,00 esgotaram já na sexta-feira à tarde. Embora tenha conseguido vendas satisfatórias, para o Natal o gerente diz que vai trabalhar com ponderação. A tendência é o consumidor fugir do supérfluo, afirma.
O gerente da Ri Happy, loja especializada em brinquedos, Carlos Roberto Ricetti, afirma que conseguiu um aumento de 2% nas vendas. Segundo informou, aproximadamente 5 mil pessoas passaram pela loja durante o final de semana. Os produtos mais procurados ficaram entre R$ 35,00 e R$ 45,00. Para o final do ano o gerente explica que fará um levantamento dos ítens mais procurados para fazer a reposição do estoque. Vamos ter de observar também se haverá disponibilidade por parte das indústrias.
A exemplo do ano passado o comércio popular de Londrina conseguiu um bom resultado na semana da criança. Segundo Wanderlei Fávaro, há um ano trabalhando com produtos de R$ 1,99, todo o estoque adquirido foi praticamente zerado. Ele observou que os poucos produtos mais caros - na faixa de R$ 4,00 - foram inclusive menos procurados pelos consumidores. O resultado animou o comerciante que pretende apostar em estoque alto para o final de ano. As vendas serão de várias linhas, não somente de brinquedos, afirmou. (Colaborou Cláudia Lopes)


