Consumidor não sente queda no preço da comida
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 12 de junho de 2006
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A alimentação é um dos itens de maior peso no custo de vida das famílias brasileiras. E, apesar das pesquisas de Índice de Preços ao Consumidor (IPC), invariavelmente, apontarem queda no preço de produtos da cesta básica, o efeito dessa redução, em geral, passa desapercebido entre os consumidores.
Segundo pesquisa do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) divulgada semana passada, a inflação, em maio, em Curitiba, só não foi maior por conta da queda de 0,95% no grupo de alimentos e bebidas. O IPC mede o custo de vida de famílias que ganham até 40 salários mínimos e caiu de 0,78%, em abril, para 0,30%, em maio: o menor para o mês desde 1999.
Os produtos com recuo nos preços que tiveram maior influência na composição do índice menor foram: batata-inglesa (-17,50%), tomate (-14,46%), lanche (-3,86%), mamão (-17,67%), feijão preto (-8,44%), laranja pêra (-10,91%), tangerina (-37,86%), pão francês (-1,41%) e frango inteiro resfriado (-3,17%). No mesmo grupo, a maior alta foi no preço das refeições fora de casa (1,40%).
''Alguns desses produtos tiveram queda nos preços porque normalmente ocorre uma redução no consumo nessa época do ano. É o caso do mamão. Outros estão em plena safra e com uma produção maior que a do ano passado, como é o caso da tangerina'', esclareceu Gino Schlesinger, da equipe de análise econômica de dados do Ipardes.
Por outro lado, o índice geral foi influenciado, principalmente, pelo grupo vestuário, com alta de 4,09% nos preços desses produtos. Dentre os itens do grupo, destacam-se: blusa feminina (20,97%), sapato feminino (9,12%) e calça comprida masculina (5,63%). Mas, também, tiveram alta o grupo de transporte e comunicação (0,60%), principalmente, pelo aumento da gasolina (5,09%) e tarifa de ônibus intermunicipal (8,50%); e o grupo de despesas pessoais, com alta de 1,07%. Nesse grupo, o aumento do salário mínimo no Paraná para R$ 437,00 deve ter influenciado a alta de 8,93% no serviço de empregada doméstica.


