Consumidor não abre mão das moedas
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segunda-feira, 27 de março de 2006
Betânia Rodrigues<br>Reportagem Local 
A instituição do Plano Real, em 1994, trouxe de volta os porta-moedas e cofrinhos esquecidos por décadas de inflação galopante. A valorização das moedinhas nas transações comerciais é o motivo desta mudança no dia-a-dia do consumidor.
Até a criação da nova moeda, o brasileiro desprezava os centavos na tabela de custo para produtos e serviços. Hoje em dia, as moedas são utilizadas na compra do pãozinho, do lanche para as crianças, no pagamento de flanelinhas e estacionamentos particulares, nas passagens de ônibus, nas feiras livres e outras aquisições de pequeno porte que, no final das contas, fazem diferença no bolso do consumidor.
Apesar disso, é quase impossível receber menos de R$ 0,05 de troco no caixa do supermercado, padaria ou banca de jornal. As moedinhas de R$ 0,01, praticamente, não circulam. A reportagem da Folha de Londrina procurou uma resposta na Casa da Moeda (fabricante oficial de notas em moedas encomendadas pelo Banco Central) que, após duas semanas, ainda não se manifestou. O economista Azenil Staviski, professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), acredita que é dificílimo contabilizar quanto o consumidor perde, anualmente, abrindo mão dos centavinhos ou trocando-os por balas. ''Até porque existe a compensação. Você não leva daqui, mas também não paga ali'', explicou.
Talvez, a melhor experiência que guardamos da inflação de três dígitos anuais seja o valor da poupança. Segundo Vanderlei Fávaro, comerciante de produtos a R$ 1,99, no centro de Londrina, as moedas de R$ 0,50 e R$ 1,00 também são difíceis de encontrar, mas a razão é outra. ''As pessoas tentam guardá-las ao máximo devido o poder de compra que um punhadinho delas representa. Por isso, vendo, a cada mês, 250 porquinhos de porcelana usados como cofrinhos. Como possui apenas uma pequena entrada para moedas, o dono evita quebrá-lo à toa'', disse Fávaro, que cobra R$ 4,99 por unidade com capacidade de reservar 100 moedas de R$ 1,00.


