Arquivo FolhaSupermercados já contabilizam venda maior de produtos de NatalA queda na vendas de bens duráveis, como os eletroeletrônicos, está favorecendo o setor de alimentos neste final de ano. A expectativa de indústrias e de supermercados é de uma substituição, por parte do consumidor, de artigos de maior valor por alimentos, principalmente produtos destinados ao Natal e réveillon.
‘‘Sem dúvida, fomos claramente beneficiados pela crise que atingiu outros segmentos’’, afirma José Mayr Bonassi, diretor de vendas da Sadia, uma maiores indústrias de alimentos do país. A ceia de Natal deste ano, conforme Bonassi, deve ser mais farta. A empresa já vendeu, por exemplo, 96% de sua produção de peru e 99% da de tender, para atender às festas de final de ano. ‘‘Os 4% que restam de peru são encomendas que as lojas normalmente fazem de última hora’’.
Essa ‘‘migração’’ do consumidor para os alimentos ajudou também as vendas da Perdigão. Conforme Ricardo Menezes, diretor corporativo da empresa, os 4,8 milhões de unidades de chester e as 500 toneladas de tender, carros-chefe da Perdigão para o Natal, também já estão totalmente comercializados. No Sé Supermercados, que tem 24 lojas no Estado de São Paulo, houve um aquecimento de 15% a 20% nas vendas nesta primeira quinzena de dezembro, em relação a igual período de 96.
‘‘Todos os produtos de final de ano estão vendendo bem, como peru, chester, panetone, frutas e bebidas’’, afirma Adriano Gabriel Afonso, gerente de compras. Segundo Afonso, o consumidor está antecipando neste ano as compras de alimentos para a ceia de Natal. Dos 250 mil quilos de peru que a rede encomendou, mais de 50 mil já foram vendidos. No caso do bacalhau, outro produto muito procurado neste período, de 100 mil quilos, 60 mil foram vendidos até sexta-feira.
O preço é outra razão do crescimento nas vendas. A maioria dos produtos de Natal praticamente não teve seu preço alterado em comparação com o ano passado. Um exemplo é o peru, que o Sé está vendendo, a partir de hoje, por R$ 3,15 o quilo, numa promoção da rede, praticamente o mesmo valor de dezembro de 96. Esse preço atraente é que leva a Apas (Associação Paulista de Supermercados) a prever que o faturamento do setor em dezembro será idêntico ao mesmo mês de 96.
Para Omar Assaf, presidente da Apas, as vendas físicas (em volume) vão crescer - a entidade ainda não sabe estimar quanto -, mas elas serão compensadas pelas menores preços. Com isso, a receita não deve aumentar na mesma proporção.

mockup