Cada vez mais o consumidor ditará as regras que irão orientar a pesquisa e a produção de soja no Brasil. Segundo o diretor da Nutrimental S/A Indústria e Comércio de Alimentos, João Alberto Bordignon, a tendência é de que cada setor da indústria alimentícia passe a exigir uma soja com características específicas para produtos diferentes. ‘‘É difícil prever o futuro. Mas as indústrias devem ficar de olho no mercado consumidor para saber quais são as exigências que devem ser atendidas’’, comentou. Bordignon apresentou ontem a palestra ‘‘Tendências do mercado futuro da soja: características da matéria-prima para utilização na indústria’’ no Congresso Brasileiro de Soja que terminou ontem em Londrina.
Bordignon observou que isso já acontece nos Estados Unidos, onde a pesquisa procura atender as demandas específicas das diferentes aplicações da soja na indústria. ‘‘A indústria que produz leite, por exemplo, exige que os grãos da soja sejam grandes’’, comentou.
Outra característica que é imposta pelo consumo é o sabor do produto, a cor do grão e do hilo (aquele ‘‘olho’’ por onde a semente germina) . ‘‘Normalmente o hilo é preto, o que desagrada o consumidor pelo mal aspecto que isso resulta no leite, parecendo sujeira’’, explicou. Além da imposição por uma aparência mais atraente, a indústria também busca soja com níveis maiores de óleo, mas saturados ou menos saturados. O nível de proteína também é outra exigência da indústria.
Quanto à questão da soja transgênica, o diretor da Nutrimental acredita que o mercado terá espaço para o produto convencional e para o grão modificado geneticamente. ‘‘Será da mesma forma com o que hoje com a soja produzida com produtos químicos e a soja orgânica’’, comparou.
O diretor técnico de soja da Perdigão Agroindustrial S/A, Carlos Roberto Biasi disse que o mercado consumidor ainda tem restrições quanto ao consumo de soja e seus derivados por causa do sabor. ‘‘Apesar das pesquisas já realizadas neste sentido ainda permanece um gosto de ‘‘mato’’ que desagrada o consumidor’’, comentou.

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