Consumidor ignora crise e vai às compras
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quinta-feira, 25 de dezembro de 2008
Eli Araujo<br> Reportagem local 
As compras de última hora no comércio de Londrina colocam em dúvida a real dimensão da propalada crise financeira que tem afetado vários países e alguns setores da produção. O movimento foi intenso esta semana em boa parte das lojas de Londrina, em especial ontem, quando o comércio permaneceu aberto até às 17 horas.
A dona de casa Rafaela Camargo foi comprar duas bicicletas para as filhas Isabelly, de dois anos, e Gabrielly, de um ano. Ela diz que deixou para comprar os presentes de última hora porque o marido recebeu o décimo-terceiro na terça-feira passada.
Rafaella estava decidida a comprar as bicicletas para as meninas porque ''o preço está bom''. Ela diz que tomou conhecimento da crise internacional apenas pelo noticiário. ''A gente ouve falar que a situação está crítica, mas isto não afetou a nossa família de maneira nenhuma, graças a Deus''.
Uma rede de lojas de eledromésticos de Londrina trabalha o mês de dezembro com uma expectativa de venda entre 12% a 15% maior que no ano passado. E o gerente de uma das unidades, Aparecido Francischini, comemorava o cumprimento da meta ontem de manhã. ''Aqui, não vi ninguém reclamando de crise; a venda está saudável'', definiu.
Segundo ele, os celulares estavam entre os presentes mais procurados, representando quase 10% do total de vendas da loja. O gerente disse também que houve um crescimento nas vendas de câmeras digitais e aparelhos de TV de plasma, mas ficou surpreso mesmo com o aumento em torno de 20% na linha de móveis.
O gerente de uma loja de confecções no centro de Londrina, Osmar Cassoto, diz que é uma contradição falar em crise enquanto as lojas estão completamente lotadas. ''O problema acontece lá nos Estados Unidos e a televisão faz parecer que é aqui; e o que a gente espera mesmo é que a crise permaneça bem longe''. Ele diz que está satisfeito com as vendas e que a expectativa da loja é vender cerca de 10% a mais que no Natal do ano passado. Cassoto garante que uma boa parte da meta já havia sido cumprida até o começo da semana.
Apesar do otimismo, era possível observar na manhã de ontem que várias lojas decidiram antecipar as promoções. Os gerentes de algumas lojas trabalhavam com uma expectativa em torno de 15% a 20% a mais que no ano passado, mas evitaram comentar o assunto, deixando transparecer que a meta não seria cumprida. Em alguns lojas, a redução de preços chegava a 50%.
A Associação Comercial e Industrial de Londrina, por sua vez, evita fazer qualquer comentário antecipado sobre as vendas de fim de ano no comércio local. O coordenador de comunicação Roberto Francisco diz que a Acil trabalha o mês de dezembro com uma expectativa de venda 10% a mais que no ano passado, mas considera 2008 como um ano atípico. ''Está muito complicado porque as vendas tanto podem ficar aquém como superar as metas'', disse.
Segundo ele, o fato de haver um grande movimento nas lojas nos últimos dias não significa, necessariamente, que está havendo aumento nas vendas. ''É preciso observar melhor o comportamento do consumidor, se ele está comprando ou apenas pesquisando''. Francisco informa que a Acil terá um levantamento geral das vendas somente na próxima segunda feira.


