Consumidor ganha com entrada dos bancos estrangeiros
PUBLICAÇÃO
domingo, 19 de julho de 1998
Agência Estado 
A entrada de instituições estrangeiras no sistema bancário brasileiro é um processo irreversível e saudável, que deve trazer grandes benefícios para o consumidor nos próximos anos. Essa é a opinião unânime des consultores, que apostam que o aumento da concorrência deve levar à melhora dos serviços das instituições e à queda das tarifas cobradas.
O diretor da consultoria Ernst & Young, Paulo Feldmann, diz que, com a entrada dos estrangeiros, o consumidor deve ter à sua disposição novos serviços e produtos. Ele também entende que haverá uma utilização mais intensa das transações eletrônicas. Na Holanda, conta Feldmann, as agências do ABN-Amro - que recentemente comprou o Banco Real - são minúsculas, contando com pouquíssimos funcionários, porque a maioria das transações é feita por caixas automáticos ou por telefone.
O diretor da Ernst & Young ressalta ainda a solidez desses bancos. Eles dificilmente vão quebrar. Para ele, é na área de tarifas que primeiro será notada a ação dos bancos estrangeiros. Aliás, segundo pesquisa do Banco Central (BC), as instituições de capital externo cobram menos que as nacionais em muitos dos serviços .
O sócio-diretor da consultoria Austin Asis Erivelto Rodrigues destaca ainda o fato de que os bancos estrangeiros podem trazer capital para o País a um custo mais baixo, o que tende a beneficiar o consumidor. Essas instituições também devem trazer novos sistemas de controle de risco de mercado e novas tecnologias.
Mas todo esse processo não deve ocorrer imediatamente. O sócio da consultoria KPMG Peat Marwick Marcelo Bessan acredita que a entrada de bancos estrangeiros no mercado nacional só vai trazer grandes vantagens para os clientes maior variedade de produtos e custos menores entre o fim deste ano e o início do ano que vem. Segundo ele, bancos como o HSBC Bamerindus, o Santander e o Bilbao Vizcaya (que comprou o Excel Econômico) ainda estão assimilando o mercado antes de começar a agir de forma mais agressiva.
Ele cita alguns produtos lançados recentemente por esses bancos que já representam algo inédito no mercado brasileiro. Entre eles, o Supercheque, do Santander, que garante a redução dos juros no cheque especial conforme o uso, e o refinanciamento de cartões de crédito em atraso, oferecido pelo HSBC.
Para o diretor-presidente da Engenheiros Financeiros & Consultores (EFC), Carlos Daniel Coradi, a entrada de grandes conglomerados no mercado vai tornar o sistema mais eficiente e garantir melhores serviços a custos mais baixos para o cliente final. Mas ele ressalva que ainda vai demorar um pouco até que esses novos bancos estejam prontos para concorrer no mercado.


