A idéia de que o consumidor decide comprar a prazo apenas considerando se o valor da prestação cabe no seu orçamento - sem levar em conta o tamanho da taxa de juros incidente no preço do produto - começa a perder força. Passada a fase de euforia de acesso ao crediário de longo prazo - motivada pelo Plano Real -, os juros estão começando a pesar na decisão de compra do brasileiro, que já busca prazos menores e descontos no pagamento à vista.
Uma pesquisa que acaba de ser divulgada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), com 2.000 consumidores espalhados pelo País, constata que a taxa de juros já passou a afetar a decisão de compra. Pela pesquisa, feita em convênio com o Ibope, 57% dos consultados consideram importante, na hora de optar pelo crediário, o fato de o preço final do produto financiado não ser muito maior do que o preço à vista.
Apenas 27% dos consumidores informam que continuam levando em conta o prazo do financiamento - já que, quanto maior ele for, menor será o valor da prestação. Já 14% dos entrevistados dizem que fogem do crediário - só compram à vista.
‘‘O consumidor já se acostumou com o crediário de longo prazo e agora está prestando mais atenção nos juros’’, afirma Flávio Castelo Branco, economista da CNI. Isso se verifica, afirma, sobretudo entre as pessoas mais jovens.

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