Rio de Janeiro A alta dos juros, aliada à acomodação no desempenho da indústria e à incerteza sobre os rumos da inflação e do mercado de trabalho, levaram a uma queda no otimismo do consumidor em novembro ante outubro, interrompendo um período de crescimento de expectativas positivas iniciado em julho. A conclusão consta da Sondagem das Expectativas do Consumidor, anunciada ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Segundo o coordenador da pesquisa, Aloísio Campelo, já em outubro a retomada da confiança mostrava sinais de que poderia ser revertida. ''O otimismo era cauteloso e não eufórico. Não acredito que esse resultado vá se repetir em dezembro, pois o cenário macroeconômico apresenta sinais favoráveis'', disse Campelo, lembrando os resultados positivos do Produto Interno Bruto (PIB) anunciados recentemente. Os dados da Sondagem ainda não são suficientes para afirmar se a atual expectativa pode afetar as vendas de Natal.
A pesquisa, iniciada em outubro de 2002 de forma trimestral, e que passou a mensal em julho desse ano, consultou 1.455 chefes de família. Segundo Campelo, foram generalizadas as respostas desfavoráveis, em novembro ante outubro, em quatro das cinco perguntas relacionadas à situação econômica tanto do País quanto da família e foram menos otimistas em cinco dos seis quesitos relacionados à situação econômica futura.
Um dos dados mais negativos da pesquisa foi que 21,7% informaram piora na situação econômica atual do País, em relação aos últimos seis meses. Em outubro, esse porcentual era de 21,4%. Ao mesmo tempo, a quantidade de pessoas que confia numa situação futura melhor diminuiu (de 17,2% para 15,9%). Para os próximos seis meses, 12,4% acreditam em situação pior do que a atual, ante porcentual de 9,9% em outubro.
A influência negativa do retorno do aumento dos juros básicos (taxa Selic) pode ser verificada na menor intenção de compras de bens de alto valor, como eletrodomésticos, carros ou imóveis. Dos pesquisados, 53,6% informaram que serão menores os gastos com bens de alto valor nos próximos meses. Esse porcentual era de 48,9% na sondagem de outubro. ''A elevação dos juros provoca um encarecimento do crédito no curto prazo'', comentou o economista, lembrando que estes bens são adquiridos normalmente por financiamentos.
Houve ainda piora das expectativas do consumidor em relação ao mercado de trabalho. A pesquisa mostra que 49% informaram que será mais difícil conseguir trabalho nos próximos seis meses, sendo que esta parcela era de 46,7% na sondagem em outubro.
Um dos poucos sinais positivos da pesquisa foi o equilíbrio da situação financeira das famílias, que atingiu em novembro o segundo maior nível da série histórica da sondagem, com 59,6% dos entrevistados informando equilíbrio entre receita e despesa, nível que só perde para o porcentual de janeiro de 2004 (60,4%).

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