Consumidor está mais pessimista
Rio de Janeiro - O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) caiu 2,3% em maio ante abril, segundo informou ontem a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Em abril, o indicador tinha registrado queda de 3,4% ante mês anterior. Essa é a oitava edição do indicador, que é calculado com base nos resultados da pesquisa ''Sondagem das Expectativas do Consumidor'', apurada desde outubro de 2002 (com periodicidade trimestral, até julho de 2004, quando passou a ser mensal). O índice é composto por cinco quesitos da sondagem.
Segundo comunicado da FGV, ''houve piora tanto nas avaliações sobre situação presente quanto das previsões para os próximos meses''. O ICC é dividido em dois indicadores: o Índice de Situação Atual, que caiu 3,3% em maio, ante queda 3,4% apurada em abril; e o Índice de Expectativas, que teve queda de 1,8% em maio, ante queda de 3,3% em abril.
De acordo com a FGV, entre as perguntas relacionados à situação presente, a maior deterioração na confiança dos consumidores ocorreu na avaliação da situação econômica na cidade onde vivem.
A parcela dos entrevistados que classificam a situação como boa passou de 12,6% para 9,8% de abril para maio; no mesmo período subiu de 44,7% para 48,06% o porcentual dos entrevistados que consideram a situação como ruim.
Quanto às previsões, a parcela dos consumidores que apostam em melhora na situação econômica local, nos próximos seis meses, diminuiu de 23,6% para 20,08%, de abril para maio. No mesmo período, subiu de 15,2% para 16,2% a parcela dos entrevistados que prevêem piora no cenário econômico local. O levantamento abrange amostra de 2.000 domicílios, em sete capitais, com entrevistas entre os dias 2 a 23 de maio.
Segundo o coordenador do estudo, Aloisio Campelo, em maio, 88,6% dos entrevistados da sondagem classificaram como difícil encontrar emprego - sendo que esse porcentual era de 88,2% em abril. ''Pela ótica do consumidor, não há sinalização, na nossa pesquisa, de recuperação do mercado de trabalho em maio'', afirmou. Ele comentou que essa falta de percepção por parte do consumidor de que a economia estaria melhorando gera incerteza, derrubando o otimismo do brasileiro.
A confiança pode se recuperar nos próximos meses, na avaliação de Campelo, à medida que a retomada da economia comece a influenciar mais diretamente o consumidor brasileiro, e não somente o setor industrial. ''Na medida que a recuperação também impacte favoravelmente o nível de emprego, e seja mais generalizada - porque ela ainda é muito concentrada em alguns setores - a confiança do consumidor tem de tudo para se recuperar nos próximos meses'', afirmou.





