Consumidor está mais pessimista
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quinta-feira, 02 de junho de 2005
Jacqueline Farid<br>Agência Estado 
Rio de Janeiro - A turbulência política das últimas semanas levou a uma nova queda, pelo quarto mês consecutivo, da parcela de consumidores que consideram a situação econômica do País melhor do que há seis meses. A Sondagem das Expectativas do Consumidor divulgada ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostrou que, em maio, apenas 12,9% dos entrevistados consideravam a situação atual melhor. Em janeiro, essa fatia era de 24,7%.
Os consumidores aumentaram também a preocupação em relação ao mercado de trabalho. Para o economista Aloisio Campelo, responsável pela análise dos dados da pesquisa, as ''turbulências políticas'' estão tornando os consumidores mais insatisfeitos e pessimistas em relação à situação atual e futura do País. Segundo ele, a iminência da CPI dos Correios é o principal fator político que está afetando as expectativas.
No entanto, Campelo avalia que não houve uma deterioração nas expectativas do consumidor em maio ante abril. A sondagem de maio mostrou que 28,2% dos entrevistados - 1.470 chefes de domicílios em 12 capitais, ouvidos entre os dias 5 e 20 de maio - consideram que a situação econômica atual é pior do que há seis meses. Em abril, o porcentual era de 25,8%.
Por outro lado, os entrevistados estão menos insatisfeitos no que diz respeito à situação econômica da família em relação há seis meses: 21,7% avaliaram, em maio, que a situação está melhor, ante 20,4% em abril. Campelo explica que ''no caso da família, o consumidor tem mais controle sobre a situação, mais parâmetros da realidade''.
Para os próximos seis meses, 16,2% dos entrevistados acreditam que a situação econômica do País estará pior em relação ao momento atual, ante 14,8% em maio. No caso da situação econômica da família, o otimismo é maior, já que 6,5% acreditavam, em maio, que a situação estará pior, ante 8% em abril.
Trabalho - As perspectivas em relação à situação familiar contrastam com as expectativas de emprego. A sondagem mostrou que ''há uma preocupação imensa com o mercado de trabalho'', destacou Campelo. O porcentual dos que acreditam que será mais fácil conseguir emprego nos próximos seis meses em relação às condições atuais, de 6,7%, é o menor registrado na série histórica da sondagem, iniciada em outubro de 2002.
No caso do porcentual dos que avaliam que será mais difícil encontrar trabalho (55,2% em maio, ante 55,4% em abril) houve estabilidade ante o mês anterior mas, alertou Campelo, ''é um nível historicamente alto''. Para o economista, ''esse é um ponto em que o consumidor está muito preocupado e isso mostra uma certa dúvida sobre o que vai acontecer com a economia nos próximos meses. Há uma forte dúvida do consumidor se o crescimento da economia será suficiente para gerar empregos''.


