Rio de Janeiro - O consumidor brasileiro está mais otimista com a situação econômica e prevê que a situação irá melhor nos próximos seis meses, mostrou sondagem de expectativas do consumidor no mês de agosto da Fundação Getúlio Vargas.
Em agosto, 72,1% dos entrevistados disseram que consideram a situação econômica brasileira melhor do que há seis meses. Em julho, essa parcela era de 66,6%. ''Estamos vendo uma melhora significativa, mas essa melhora é menor do que a observada em janeiro (79,3%), que é um mês com forte componente sazonal. O sentimento do consumidor vinha melhorando mas sofreu um baque em abril em função de turbulências políticas provocadas pelo Waldomiro Diniz e porque não havia sinais consistentes de recuperação da economia. Agora o cenário mudou em todos os sentidos'', disse o economista responsável pela pesquisa, Aloísio Campelo.
O levantamento foi realizado em 1.464 domicílios das 12 principais capitais brasileiras. O otimismo do consumidor é maior entre as camadas mais ricas da população. ''Os mais pobres pagam mais caro na recessão e demoram mais para se beneficiar da recuperação da economia. Isso ocorre em todas as sociedades'', disse o economista Fernando Holanda da FGV.
A pesquisa mostrou ainda aumento da poupança e redução do endividamento nas famílias pesquisadas. As perspectivas para os próximos seis meses também melhoraram, com 85,8% dos chefes de família esperando estabilidade ou melhora da situação do País no futuro - avanço de 6,5 pontos percentuais em relação à sondagem de julho.
O consumidor brasileiro acredita ainda que nos próximos seis meses terá menos dificuldade para conseguir trabalho. Em julho, 53,5% dos entrevistados previam dificuldades para encontrar uma oportunidade de trabalho, enquanto em agosto esse percentual caiu para 51,4%. Para 14,3% dos entrevistados em agosto será mais fácil encontrar emprego nos próximos seis meses, contra 11,7% em julho.
''A sondagem é consistente com os resultados do PIB. O Brasil está se recuperando de forma consistente e os consumidores estão absorvendo esse cenário mais otimistas. Com a economia se recuperando, os consumidores ficam mais animados e o ambiente para os negócios melhora no País'', disse Holanda.
Nesta semana, o IBGE divulgou que o Produto Interno Bruto cresceu 1,5% no segundo trimestre contra o primeiro trimestre e 5,75 em relação ao mesmo período do ano passado.
O único indicador negativo da pesquisa foi o relativo ao consumo de bens duráveis, que caiu de 17,9% para 17,5%. A queda na perspectiva de consumo desse produto foi atribuída à margem de erro da pesquisa. Os consumidores ouvidos pela sondagem em agosto projetaram uma inflação para 2004 de 12,3%, contra 12,2% em julho. ''A recuperação está sendo mais forte do que todos imaginavam se continuar nesse nível, os preços vão subir e o BC terá que fazer um ajuste fino dos juros sem abortar o crescimento'', disse Holanda.

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