Consumidor está há 4 anos em lista de espera por telefone
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domingo, 26 de agosto de 2001
Maigue Gueths<BR>De Curitiba 
O enfermeiro Edson Oliveira dos Anjos, que mora em Marialva (17 km de Maringá), está há quatro anos e meio na fila de espera para instalação de um telefone em sua casa. Desde novembro do ano passado, ele ingressou em uma nova lista. Dessa vez à espera de uma linha telefônica comercial. Quando fez a segunda inscrição, foi informado que as linhas comerciais têm prioridade na instalação e que no máximo em três meses teria o aparelho ligado. Até agora, no entanto, ele continua tendo que fazer suas ligações com seu celular.
''Não dá para entender porque tanta demora. Nos dois municípios ao lado daqui, em Sarandi e Maringá, estão instalando telefones. Aqui, sempre que ligo para o serviço 0800, eles informam que estão mexendo na parte técnica e que ainda não há linha disponível'', conta. Com essa situação, Oliveira teve motivo de sobras para contestar notícia recente divulgada pela Telepar Brasil Telecom na imprensa. A empresa afirmava que o Paraná está com sobra de linhas telefônicas em várias cidades e garantia que ''há linhas suficientes para atender a demanda do mercado.''
Na verdade, o custo da linha telefônica despencou depois da privatização. chegando a R$ 17,70 atualmente, mas a Brasil Telecom não está conseguindo atender a demanda. Segundo o Departamento Comercial da empresa, hoje 169 municípios no Estado têm terminais para instalação imediata, mas não necessariamente em todos os bairros. A oferta imediata acontece principalmente nas maiores cidades, como Curitiba, Foz do Iguaçu, Maringá, Cascavel, Ponta Grossa, Umuarama, Campo Mourão, Paranavaí, Rolândia, Toledo e Cornélio Procópio. Mas em Curitiba, por exemplo, a instalação imediata está restrita a alguns bairros, como Boqueirão, Juvevê e Água Verde, entre outros. Por outro lado, os outros 230 municípios do Paraná, entre eles Marialva, não têm linhas telefônicas disponíveis.
Oliveira dos Anjos conta que fez sua inscrição na Telepar em fevereiro de 1997, antes da privatização da empresa. De lá para cá, perdeu a conta da quantidade de telefonemas que já fez questionando a demora. Há cinco meses, também enviou uma carta à direção da Telepar. ''Na resposta, a empresa prometeu estudar meu caso com carinho, mas até agora nada'', reclama.
Segundo o representante da Regional Noroeste da Brasil Telecom, Homero Borba Passos, pelo menos 70% dos municípios da Região Norte estão com obras em andamento. Faltam linhas principalmente nos municípios menores. Em Marialva, segundo ele, foram instalados os cabos subterrâneos e está sendo concluída a rede aérea. Em seguida, serão feitas as ligações da rede com as residências. Marialva tem, atualmente, 2,6 mil telefones e uma lista de espera de 2,5 mil pessoas. ''Com as obras que estamos fazendo, vamos ampliar a rede para mais 5,4 mil telefones, atendendo a demanda da cidade até 2005'', Passos.
Uma das causas da demora nos serviços, segundo ele, é a disponibilidade de equipamentos. ''É difícil cumprir as metas porque cada município tem uma tecnologia e os fabricantes de cabos, centrais telefônicas e equipamentos de rádio nem sempre têm os produtos para entrega rápida'', garante o representante regional. A Telepar não divulga o número de pessoas que está em lista de espera em todo Paraná. A intenção, segundo o Departamento Comercial, é terminar a instalação dos cabos até o final do ano. Já as ligações com as residências devem acontecer só no início de 2002.


