São Paulo - A maioria dos brasileiros escolhe os produtos que vai comprar pela relação qualidade e preço e acredita que as propagandas são importantes para conhecer as marcas. A conclusão é de um estudo da Nielsen sobre o estilo de vida da população, que aponta a predominância desse perfil de consumidor, denominado ''consciente'', que representa 34% dos domicílios do país e 37% dos gastos.
A pesquisa feita em 8.700 lares identificou outros cinco tipos, com destaque para o ''batalhador'', que aparece em 31% dos domicílios com 28% dos gastos. ''Tem menos poder de compra, escolhe a marca por preço e promoção e desconfia das propagandas'', resumiu Artur Bernardo Neto, diretor comercial da Nielsen no Brasil.
O ''maduro tradicional'' e o ''conformado'' têm o mesmo percentual de gastos (10%) e ambos são mais velhos e com baixo poder de compra. O primeiro grupo, que responde por 13% dos domicílios, tem mais de 51 anos e não confia nos produtos mostrados nos comerciais. ''Além disso, costuma fazer compras de abastecimento, não de reposição, e leva sempre as mesmas coisas'', afirmou.
O segundo grupo, com 11% dos lares pesquisados, evita até assistir às propagandas, para evitar o desejo do consumo, e busca sempre as promoções. Na faixa com maior poder aquisitivo estão os tipos ''maduro bem-sucedido'' e ''fashion''. Com 6% dos domicílios e 9% dos gastos, esse consumidor maduro evita gorduras, consome produtos diet e compra as marcas habituais, mesmo sem promoção.
Formado por um público mais jovem, o ''fashion'' está presente em 5% dos lares e contribui com 7% dos gastos. É o tipo que valoriza produtos com benefícios, como os que melhoram a aparência, e gosta de testar novidades.
''Considerando toda a América Latina, os perfis desses grupos são semelhantes, com exceção do Chile'', explica o diretor de marketing Mário Lynch.
O estudo foi mostrado aos clientes da Nielsen, que podem traçar estratégias mais eficazes com base nos dados. A empresa detalhou os perfis em duas regiões e identificou que o tipo ''fashion'' representa 24% dos lares no Sul - consumidores mais propensos a experimentar novos produtos. No Nordeste, o ''batalhador'' está em 32% dos domicílios, o que indica que promoções vão ter mais efeito nessa região.
Vendas - No ano passado, o crescimento médio dos bens de consumo de massa auditados pela Nielsen foi de 5,1% em volume e 3,2% em faturamento, já considerando a inflação do período, impulsionado pelos produtos perecíveis (principalmente iogurtes) e pelas bebidas não-alcoólicas. No mesmo período, o PIB teve expansão de 2,9% e, segundo o IBGE, a renda do trabalhador teve alta de 4,3%.
A recuperação do poder de compra, a maior oferta de crédito e a criação de empregos foram os principais responsáveis pela alta no consumo. Ainda assim, na comparação com outros países da América Latina, o Brasil aparece com uma das menores taxas de crescimento.

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