Consumidor, escolado, espera redução
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sábado, 19 de setembro de 1998
Cláudia Lopes 
O comércio de Londrina sentiu a elevação dos juros nos últimos dez dias. Os consumidores, ressabiados, aguardam a acomodação do mercado para ir às compras. A Lynobuk, uma pequena confecção que vende roupas no atacado e varejo em Londrina, ficou praticamente às moscas nos primeiros quatro dias depois do aumento nas taxas. Foram dias de tortura, reclama a proprietária Lídia Furuta. Mas o movimento melhorou um pouco na semana passada.
Trabalhando com juros de 5,8% ao mês, ela ainda não sabe se vai alterar a taxa. Isso vai depender das indústrias de matéria-prima. Como ainda não fiz compras, não sei se houve alteração nas taxas das tecelagens, diz. A Lynobuk vende uma média mensal de 1,2 mil peças. Neste mês, a proprietária prevê queda nas vendas entre 10% a 15%. Com índice de inadimplência mensal de 6%, a empresária conta que ficou mais criteriosa na hora de aceitar cheques. Estamos consultando o Infocheque e os cadastros de outras empresas.
O gerente da A Vantajosa, Osmar Cassoto, diz que o aumento dos juros ainda não refletiu nas vendas da loja. Não sei o que vai acontecer. Por enquanto não mudou nada, afirma. A loja vende roupas e produtos de cama, mesa e banho com desconto de 20% no pagamento à vista. O pagamento a prazo pode ser dividido em três vezes. São os mesmos benefícios que conseguimos na negociação com nossos fornecedores, que, aliás, também não aumentaram os juros.
Para garantir preços baixos, Cassoto diz ter elevado o número de fornecedores da loja no último ano, passando de 100 para 150. Estamos procurando sempre o melhor preço, independente do tamanho da indústria. Preço baixo é uma exigência do consumidor, diz. O gerente garante não ter do que reclamar. Além das vendas da loja terem aumentado 20%, nossa inadimplência está em 2,2% ao mês.
Maristela Brunetti e Carlos Brunetti, proprietários da Tendência, também não fizeram compras para a loja depois da alta dos juros mas acreditam que os fornecedores vão diminuir os prazos de pagamentos. Atualmente, compras acima de R$ 1 mil podem ser pagas em 60 dias. Se o prazo for menor, também vamos ter que diminuir os prazos para os clientes, diz. Maristela afirma que o movimento da loja só parou na última segunda-feira. As pessoas estavam assustadas. Carlos diz que as coisas deram um melhorada no decorrer da semana. Só que durante todo este ano as vendas caíram 20% em relação a 97, calcula.
A falta de dinheiro no mercado e a inadimplência no comércio produzem distorções. Antigamente, ficávamos felizes quando uma pessoa entrava na loja e fazia uma compra grande. Hoje, ficamos apreensivos, com medo da falta de pagamento, dizem os empresários. A inadimplência na Tendência é de 4% ao mês.
Pedro Donizetti dos Santos, gerente da B.J. Santos, diz que os juros ainda não aumentaram em sua loja. Ainda estamos operando com 6,5% ao mês. Mas aguardamos a ordem de alteração da matriz nesta semana, afirma. Ele também acredita numa redução nos planos de pagamento. Atualmente, a loja parcela em até 18 vezes. A Fininvest, financeira da loja, deve anunciar o aumento em suas taxas de juros nesta semana.


