O consumidor está ressabiado. Pouca gente acredita que a desoneração da cesta básica, anunciada na sexta-feira passada pela presidente Dilma Rousseff, vai chegar às prateleiras dos supermercados. Sem o PIS/Pasep e sem a Cofins, o governo espera uma queda de 9,25% a 12,5% nos produtos como carne, café, manteiga e óleo de cozinha (ver quadro com relação completa dos 16 produtos desonerados). Mas, a maioria dos compradores acha que esse "desconto" para fabricantes e revendedores não chegará aos preços finais.
"Acho difícil. No começo, os supermercados vão alegar que o preço não baixa porque o produto foi comprado antes da medida. Depois, ninguém mais vai falar nisso. Estou igual a São Tomé. Só acredito vendo", afirma o professora aposentada, Gislene Aparecida Ribeiro. "O comerciante não vai repassar. Aqui em Londrina é muito complicado. Lembra quando o preço da gasolina caiu no País inteiro e subiu aqui?", questiona o porteiro Osmar Stagliano. Para a cabeleireira Vera de Carvalho, os supermercados vão ficar com "uma margem maior de lucro". "Podem até dizer que vão dar o desconto nos preços, mas na hora 'h' não dão", acredita.
Já o empresário Patrick Carvalho diz que os preços da cesta básica vão cair. "Temos que confiar nas empresas." Da mesma forma pensa o gerente de loja Ademir Vejam. "A cesta básica é um chamariz. As pessoas vão ao supermercado comprar esses produtos que vão estar mais baratos e acabam levando outras coisas. Com a desoneração, todo mundo ganha, desde o produtor", declara.
Coordenador da pesquisa mensal da cesta básica em Londrina e professor da Universidade Pitágoras, Flávio Oliveira dos Santos está cético como a maioria dos consumidores. Ele lembra que outras desonerações foram concedidas pelo governo na história do País. "Os valores vão ficando no caminho. A cadeia vai incorporando aquilo que deveria repassar ao consumidor", acredita.
De acordo com Santos, se muito haverá uma queda de até 3% nos preços. "Mas já é uma coisa importante. Acho que a desoneração fará com que a cesta básica fique estável durante o ano", afirma.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, reuniu-se ontem com representantes de empresas como BR Foods, Pão de Açúcar, Wal-Mart, Carrefour, Cargill e Nestlé, para discutir a medida. Segundo ele, os empresários se comprometeram a repassar a redução de tributos federais. "Para nós, é importante que as medidas cheguem logo às prateleiras para beneficiar a população", disse o ministro.
A desoneração foi publicada ontem numa edição extraordinária do Diário Oficial da União, por meio da Medida Provisória 609. Segundo o governo, parte dos produtos da cesta básica já estava isenta de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e agora será liberada da alíquota de 9,35% de PIS/Cofins. Com a renúncia fiscal, a União vai abrir mão de R$ 7,3 bilhões por ano. (Com agências)

Imagem ilustrativa da imagem Consumidor duvida que custos caiam com desoneração da cesta



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