Aumentos - Se de um lado os empresários acreditam no crescimento de vendas, o consumidor que pensa em voltar a comprar neste fim de ano deve tomar cuidado, pois muitos produtos deverão chegar com preços mais salgados. Outro cuidado é com as taxas de juros que podem aparecer disfarsadas. A previsão da indústria, dias atrás, era a zerar taxas ou cobrar taxas bem promocionais.
''O problema não é de demanda, e sim de custo'', diz o sócio-diretor da empresa de consultoria especializada no setor de varejo Gouvea de Souza & MD Alberto Serrentino. ''Não há renda disponível para suportar aumentos de preços.''
Mesmo assim, no setor de bens de consumo duráveis a indústria espera faturar mais neste Natal, embora vendendo menos do que em 2001. A Semp Toshiba, que disputa com a Philips a liderança de vendas no segmento de TVs, por exemplo, diz ter negociado um repasse de 10% de aumento para o varejo, de um total pretendido de 20%. Não por menos, a empresa espera faturar 5% mais do que no Natal passado, apesar de ter cortado em 40% sua produção neste segundo semestre.
Na Philips, a situação não é muito diferente. Segundo o vice-presidente da Divisão de Consumers Eletronic, Paulo Ferraz, a produção do último trimestre deverá apresentar queda em relação à do ano passado. Mesmo assim, a expectativa da empresa é de que seu faturamento cresça 10% no período.
Além do preço mais elevado, cujo porcentual de reajuste a empresa prefere não divulgar, o mix de produtos apresenta maior valor agregado em relação à linha do ano passado. A estratégia é conquistar o cliente oferecendo produtos com mais recursos técnicos, como TVs de tela plana ou plasma, por exemplo. Hoje todos têm no mínimo um TV básico, só haveria interesse em substituí-lo por outro produto que tivesse alguma coisa diferente.

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