Uma das principais recomendações dos economistas e das nutricionistas é o consumo de produtos de época por terem um preço mais acessível, já que a oferta tende a ser maior. Mas o que se verifica nas últimas semanas é que vários produtos, mesmo sendo de época, estão com preços altos e a qualidade baixa, tanto nas feiras quanto nos supermercados. Os campeões do preço alto são tomate, chuchu e alface. O excesso de chuva é apontado como o ‘‘vilão’’ da história.
  A empresária Ângela Maria Fudoli escolhe bem os hortifruti na hora da compra e diz que está difícil selecionar o que procura. ‘‘O preço está alto e quando a gente acha um produto com preço baixo, a qualidade é péssima’’, comenta. Ela monta um cardápio de acordo com os produtos disponíveis em cada época do ano, mas sempre levando em conta o preço, a qualidade a aparência do produto. ‘‘Se o chuchu está caro, a gente inventa outro prato. Substituir o chuchu é muito fácil’’. Quanto ao tomate, Ângela prefere fazer a troca por outro tipo de salada: batata, cenoura ou alface.
  A comerciante Loide Maria de Oliveira Pereira diz que observou o aumento de preços principalmente do tomate e do chuchu nos últimos dias. ‘‘O chuchu a R$ 3,00 ou 4,00 é muito caro. É um produto que nem tem tanta vitamina para se elevar tanto o preço’’, afirma. Ela acredita que o aumento de preços se deve ao excesso de chuva que prejudica a qualidade dos produtos. ‘‘Até na feira onde a gente encontrava produtos melhores, mas hoje o preço está alto e qualidade está baixa’’.
  Loide diz que usa o critério de preços para substituição de produtos. ‘‘Se o tomate está caro, eu compro a cenoura’’, exemplifica. ‘‘Agora, se um produto está muito caro, tipo a pêra, eu fico meses sem comprar’’, diz. Lembrando a batata jogada fora há poucos dias por causa do excesso de produção, a comerciante questiona até a lei da oferta e da procura. ‘‘A gente vê o produto sendo jogado e o preço nem baixa tanto’’, afirma.
  A bancária Fabiana Magro concorda que ‘‘os preços estão altos e a qualidade está baixa’’, mas não leva em conta se um determinado produto é de época ou não quando faz suas compras. Ela adota o critério da quantidade. ‘‘Vou pelo meu gosto. Se estiver com vontade de comer tomate e ele está caro, eu compro menos. Para isso, só preciso me sacrificar um pouco mais e vir mais vezes ao supermercado’’. Fabiana afirma também que não vê tanta diferença quando faz pesquisas de preços. ‘‘Normalmente, os preços parecem padronizados; não variam muito de um supermercado para outro’’.


Completo e com menos agrotóxicos
  A nutricionista Beatriz Ulate aponta duas vantagens para o consumo de frutas e verduras na época da safra: ‘‘O valor nutricional é mais completo neste período e o uso de agrotóxicos é menor’’.
  Segundo ela, as frutas mais abundantes no calor são as seguintes: laranja, manga, melancia, melão, mamão, abacaxi, coco, uva niagara, banana maçã, banana prata e limão. E as hortaliças mais abundantes são a beringela, cebola, abóbora, abóbrinha, agrião, couve, pepino, pimentão, quiabo, repolho e tomate.
Entre as frutas, as mais escassas nesta época são o maracujá, a tangerina, a poncan e o morango.
  Beatriz afirma que alguns produtos, mesmo sendo de época, estão com preços mais altos nos últimos dias por causa da chuva que prejudica a produção e a colheita. Entre os produtos, estão o chuchu e o tomate. Segundo ela, o chuchu pode ser substituído pela abobrinha, quiabo ou outro legume. E o tomate ela considera a substituição um pouco complicada pelas ‘‘características especiais’’ do produto. Em termos de propriedades nutricionais, o que mais se aproxima do tomate é o pimentão, mas reconhece que ‘‘nem todos gostam’’. Para quem não consegue ficar sem tomate, ela sugere que o produto in natura seja usado apenas para saladas e o produto industrializado para molhos.
  Ndependente de época, a nutricionista Beatriz Ulate recomenda que todos os produtos sejam higienizados antes do consumo com a mistura de uma colher de água sanitária.
  Quanto ao eventual excesso de oferta de alguns produtos, como a cebola e a batata, ela diz que isto acontece por falta de planejamento. ‘‘Quando o preço de um produto está bom, todo mundo planta e aí o preço cai na hora da colheita’’. E como se trata de produtos perecíveis, a única forma de aproveitar o excedente, segundo ela, seria a industrialização dos produtos. (E.A.)

mockup