SÃO PAULO - Especialistas em matemática financeira rebatem a argumentação dos lojistas de que não há juros embutidos no preço à vista de um produto anunciado que também pode ser pago em até seis prestações sem acréscimo. ‘‘Ninguém vende nada sem acréscimo por menores que sejam as taxas de inflação e de juros’’, diz o matemático, José Dutra Sobrinho. O consultor de varejo, Gustavo Ayala, concorda com o matemático. Para ele, jamais o valor atual de uma mercadoria é igual ao preço daqui a um ano, a não ser que a taxa de juros da economia seja igual a zero.
Por este motivo, o consumidor que pretende comprar à vista deve insistir no desconto, mesmo quando o lojista argumenta que não há juros embutidos, recomenda a diretora do Centro de Estudos e Pesquisas do Procon (órgão de defesa do consumidor), Vera Marta Junqueira. Como o comércio anuncia o mesmo preço a prazo e à vista, sem explicitar os juros, não há como o consumidor alegar propaganda enganosa. ‘‘A impressão que se tem é que não há preço à vista, mas só a prazo nas lojas.’’
O sócio-diretor da Loja Cem, Natale Dalla Vecchia, que vende em até quatro vezes pelo preço à vista, explica que não embute juros neste tipo de negócio. Ele argumenta que, nesta modalidade de venda, o que existe é a redução da margem de lucro, que é compensada pelo maior volume de negócios. Atualmente, quase a metade da sua venda a prazo é em até quatro vezes.
O matemático Dutra Sobrinho recomenda que sempre o consumidor peça desconto quando o lojista oferecer o mesmo preço a prazo ou à vista. Exemplo: na compra de uma geladeira anunciada por R$ 597 à vista ou em até seis vezes iguais, o comprador deve solicitar pelo menos 4% de desconto se quiser quitar o produto de uma só vez. Este desconto equivale ao rendimento do dinheiro se fosse aplicado no mercado financeiro a uma taxa de 1,66% ao mês pelo mesmo prazo da compra.

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