Consumidor deve fugir do crediário
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terça-feira, 06 de maio de 1997
Agência Estado 
A restrição ao consumo adotada pelo governo a partir desta semana, na forma de aumento de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), muda a vida do consumidor na hora de comprar a prazo. Pedir um empréstimo ao banco, fazer um crediário ou usar o cheque especial fica ainda mais caro. O IOF, que era de 6% ao ano ou de 0,5% ao mês, subiu para 15% ao ano - ou 1,25% ao mês. O impacto será mais forte quanto maior for o prazo do empréstimo, de 1 a 12 meses. Além desse prazo, o impacto é decrescente, porque o valor máximo cobrado a título de IOF é o equivalente a 12 meses.
Para se ter uma idéia do que a medida significa para o bolso do consumidor, considere este exemplo: em um financiamento de R$ 1 mil, por 12 meses, à taxa efetiva de 6% ao mês, a prestação mensal, embutindo o imposto no financiamento como normalmente ocorre, é de R$ 126,89, com IOF de 6% ao ano, e de R$ 140,33, com IOF de 15% ao ano. A diferença mensal é de R$ 13,44, ou R$ 161,28 em 12 meses.
Com a inclusão do IOF no total financiado é como se a taxa efetiva mensal de 6% subisse de 7,15%, com alíquota de 6%, para 9,10%, com alíquota de 15%.
O mesmo exemplo, mas no prazo de três meses, levaria a três prestações de R$ 379,81, com IOF de 6%, e de R$ 388,69, de 15% ao ano. Aí, a diferença mensal de R$ 8,88 passa a R$ 26,64 em três meses. O juro efetivo mensal de 6%, com o financiamento do imposto, evoluía para 6,82%, com a alíquota do IOF de 6% ao ano; agora evoluirá para 8,09%, com a alíquota de 15%.
O preço dos carros populares vendidos na faixa de R$ 12 mil em prazo de 36 meses também fica mais salgado: com juros mensais de 3%, a prestação salta de R$ 590 para R$ 650. O impacto será equivalente a meio salário mínimo ou 10% do valor da prestação. O comércio que se utiliza de financiamento bancário para vender eletrodomésticos terá de elevar um pouco o valor das parcelas.
As simulações realizadas pelos analistas do mercado financeiro mostram que o efeito será relativo nas vendas de automóveis e muito pequeno no setor de eletroeletrônicos.
Segundo cálculos do Departamento Econômico do Bicbanco, a prestação de uma TV de R$ 400 vendida pelo prazo de 36 parcelas com juro de 5% ao mês, por exemplo, passará de R$ 26 para R$ 28. Em doze prestações, a prestação sobe de R$ 46,50 para R$ 48,30. Já uma geladeira que custa R$ 800 terá sua prestação elevada de R$ 93 para R$ 96,60 em doze vezes. No prazo de 36 prestações, a prestação sobe de R$ 93,00 para R$ 97,20. No caso dos automóveis, ainda segundo o Bicbanco, o efeito será bem maior em valores absolutos.
Um carro médio de R$ 20 mil terá sua prestação elevada de R$ 985 para R$ 1.085 num financiamento de 36 vezes e um juro mensal de 3%. Se a venda for financiada em 24 prestações, o valor passa de R$ 1.245 para R$ 1.340. No entender dos analistas, o efeito desejado pelo governo é exatamente o de atingir o setor mais aquecido da economia, no caso, o automobilístico.


