Agência Estado
De São Paulo
Embora muitas instituições tenham reduzido suas taxas de juros ao consumidor na semana passada (leia nesta página), os especialistas consideram que as taxas continuam estacionadas em níveis elevadíssimos. O corte nas taxas mensais cobradas no cheque especial, cartão de crédito e empréstimo pessoal ocorreu em virtude de o Banco Central ter reduzido, na semana passada, o compulsório sobre depósitos à vista de 75% para 65%, medida que poderá elevar em cerca de R$ 3 bilhões a oferta de dinheiro no mercado nas próximas semanas. Além disso, no início deste mês, o BC já tinha cortado o compulsório incidente sobre os depósitos a prazo de 20% para 10%. Essas duas medidas juntas baixaram os custos operacionais das instituições e as estimularam a reduzir as suas taxas de juros.
O economista-chefe do Centro Brasileiro de Orientação em Finanças Pessoais (Forex), Marcos Silvestre, diz que as instituições financeiras estão sendo pressionadas pelo governo a reduzir os custos do crédito. O governo vem ameaçando pedir explicações mais claras a essas empresas sobre a necessidade de manter o spread (diferença entre a taxa cobrada do tomador de crédito e a taxa paga ao investidor) em níveis tão elevados. Se achar necessário, o governo poderá até mesmo solicitar que os bancos abram os seus relatórios para mostrar o porquê de tanta cautela no corte das taxas.
Silvestre aposta que a expectativa é que ocorram reduções mais expressivas das taxas de juros nas próximas semanas. Por isso, a recomendação é que o consumidor, se puder, adie a tomada de empréstimos.
O vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos em Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel José Ribeiro de Oliveira, afirma que ainda falta um longo caminho a ser percorrido até que as taxas de juros fiquem mais justas. Para que isso aconteça, Ribeiro avalia que é necessária uma redução de no mínimo 50% nas taxas exigidas atualmente pelas instituições financeiras em todas as modalidades de crédito.
O economista diz que o ritmo da redução das taxas poderia ficar mais acelerado se o consumidor brasileiro criasse o hábito de poupar para comprar à vista e evitasse, ao máximo, recorrer a financiamentos. ‘‘Se a demanda por esse tipo de crédito caísse, as instituições seriam obrigadas a baratear os encargos cobrados dos tomadores de empréstimo’’. Ribeiro diz que, enquanto não mudar seu comportamento, o consumidor ainda terá de direcionar uma boa parte do seu orçamento mensal para o pagamento de juros.

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