Consumidor deixa de ser fiel às marcas
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 18 de outubro de 2002
Agência Estado 
São Paulo A dona de casa Maria Hartman, de 80 anos, não liga mais para marcas, busca sempre promoções e só põe no carrinho do supermercado produtos que aprendeu a usar como sinônimo de qualidade e benefícios quando o preço compensa. ''Não me recuso a experimentar novos produtos, hoje há muitas opções'', disse ao lado da neta, Ana Hartman Silva, de 17 anos, que a acompanhav nas compras no Carrefour do Limão, na zona norte da capital paulista. Maria é um exemplo típico da atual dona-de-casa brasileira e das mudanças nos hábitos de consumo que ocorreram na última década no País segundo densa pesquisa do Latin Panel, empresa dos grupos Ibope, NPD e Taylor Nelson Sofres. Foram pesquisados os hábitos de consumo de seis mil domicílios, representativos de 68% da população domiciliar brasileira e 77% do potencial de consumo no País.
A principal mudança nos últimos dez anos é justamente o fim da fidelidade às marcas, seja pelo surgimento de novas nas prateleiras ou pelo preço. Um movimento que, diz a diretora comercial do Latin Panel, Ana Claudia Fioratti, fez com que 75% das marcas líderes de 35 grandes categorias de produtos perdessem a exclusividade para marcas novas e aquelas próprias, de supermercados e redes de varejo. Na categoria alimentos, 85% das marcas líderes perderam exclusividade, porcentual que é menor quando o assunto são produtos de higiene, no qual só 40% das marcas líderes perderam algum mercado.
Um dado curioso: a fidelidade às marcas é maior entre os consumidores de mais baixa renda, das classes D e E, onde 48% se orientam por marcas. Ou seja, são mais suscetíveis à propaganda do que os consumidores das classes A e B, onde apenas 21% se orientam por marcas. ''Isso ocorre também porque esta dona-de-casa não pode arriscar nem errar na compra'', acentua Ana Claudia.
O amaciante de roupa é uma das estrelas do estudo ''O consumidor brasileiro, 10 anos de história'': suas vendas, em volume, cresceram 374% em 2001 em relação a 1992, e 71% dos brasileiros consomem o produto hoje ante 56% em 1992.


