Consumidores de energia elétrica têm reclamado mais dos serviços prestados pelas distribuidoras após privatizações feitas no setor. A constatação é do diretor-ouvidor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Eduardo Henrique Ellery Filho, feita durante o 14º Seminário Nacional de Distribuição de Energia Elétrica (Sendi), realizado em Foz do Iguaçu. O evento será realizado até quinta-feira.
Um balanço da central da Aneel, feito entre 31 de março e 6 de novembro, revela que dos 104.296 acessos, 31.540 foram direcionados ao atendimento aos usuários – o restante está relacionado a outras opções do telefone gratuito. Exatas 9.726 ligações (30,8%) foram de reclamações sobre a qualidade do serviço. Ellery Filho fez questão de frisar que do total de protestos, perto de 7.780 (80%) foram solucionados em três dias, destes 5.446 (70%) beneficiando o consumidor.
Para o ouvidor, o retrato não significa que o fornecimento e atendimento pioraram em virtude das privatizações, visto que os números foram apurados num momento de transição. Na opinião dele, aumentou o nível de consciência da população. ‘‘Antes, quando o Estado era controlador, o cliente perdoava as falhas. Agora, com o privatização, ele se sente com mais direito de cobrar’’, argumenta.
Das 64 distribuidoras existentes no País, somente 20 pertencem aos governos e a Copel (Companhia Paranaense de Energia Elétrica) é uma delas. A tendência das empresas é desmontar os escritórios em pequenos municípios, centralizando as assistências por telefones e nas grandes cidades. Parte dos usuários do interior, entretanto, é contra a mudança.
Ellery lembra o caso da Companhia de Energia Elétrica de Pernambuco, cuja procura pelo telefone 800 cresceu ‘‘consideravelmente’’ depois da privatização. Mas, segundo ele, é cedo para apontar o motivo, visto que a estrutura da empresa continua a mesma. ‘‘Nada mudou. Tem uma coisa que é difícil de dectetar, que nós veremos nos próximos estudos.’’ A Agência vai divulgar na próxima semana uma pesquisa completa retratando o índice de aprovação do setor.
A meta da Agência Nacional de Energia Elétrica é fornecer, em 2005, energia elétrica com qualidade para todos os brasileiros. Atualmente, 40.470 milhões de moradias são abastecidas (93,5% do total), enquanto 2,5 milhões de residências – em torno de 10 milhões de pessoas – não usufruem do serviço (6,5% do total). A maior parte dessa fatia está na área rural (29,3%).
Evento Durante o 14º Seminário Nacional de Distribuição de Energia Elétrica (Sendi) Ellery falou também sobre o relacionamento dos clientes com as concessionárias e os direitos e deveres de cada um. Cerca de 800 pessoas assistiram a palestra. Ele enfocou em sua exposição o papel da Aneel, suas competências e missão, as principais reclamações dos consumidores, fiscalização das empresas de energia e a descentralização de atividades através de convênios com estados. Paralelo ao evento, estão sendo apresentados 140 trabalhos técnicos.

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