Consumidor armazena álcool para diminuir impacto da alta
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segunda-feira, 31 de julho de 2000
Cláudia Lopes De Londrina 
O aumento dos preços dos combustíveis, a partir de hoje, levou consumidores de Londrina a estocar litros dos produtos em casa. Ontem, além de abastecer os veículos, muita gente enchia galões principalmente de álcool formando longas filas em postos do centro da cidade. O preço da gasolina no município deve variar de R$ 1,60 a R$ 1,65 e, o do álcool, de R$ 1,00 a R$ 1,05, segundo o Sindicombustíveis.
Para economizar alguns reais, os consumidores correm o risco de acidentes. Cerca de 30% das pessoas que abasteceram num dos postos da área central ontem à tarde levaram álcool para casa. A informação é de um frentista que não quis se identificar. Teve um cliente que levou 66 litros em galões, contou. Em cerca de 15 minutos, a reportagem da Folha flagrou seis consumidores armazenando álcool em galões de 20 litros e até em garrafas vazias de refrigerantes de dois litros.
Inconformado com o novo aumento, o engenheiro agrônomo Marcos Wilson abasteceu sua Kombi com 41 litros de álcool, além de levar para casa outros 20 litros num galão de plástico. O próprio governo força o consumidor a se arriscar, afirmou. É o jeitinho brasileiro, disse Wilson, que calculou gastar cerca de R$ 40 por semana com combustível.
O representante comercial Jaime Goulart usa o carro para vender produtos alimentícios no Norte do Estado. Ele disse que gasta 100 litros de álcool por semana em viagens. Com o aumento, vou gastar R$ 40 a mais por mês, calculou.
Goulart reclamou do aumento de hoje, afirmando que o consumidor está de pés e mãos atadas. Não há o que fazer. Toda vez que ocorre uma alta como esta, a gente é obrigado a apertar mais o cinto, deixando de gastar com outras necessidades.
O Posto Esperança vendeu ontem 14 mil litros de álcool e 16 mil litros de gasolina, segundo o proprietário Ariovaldo Ferraz Arruda. A média de venda diária no posto é de 8 mil litros de álcool e 10 mil litros de gasolina.
O preço dos combustíveis no posto ontem era R$ 1,349 (gasolina) e R$ 0,759 (álcool). Vamos retirar as promoções, acompanhando o mercado, afirmou Arruda. Por causa do aumento de preços, ele calculou uma queda imediata de 15% nas vendas. Mas logo a venda é normalizada porque o combustível é consumo forçado, considerou.
Para Arruda, o aumento é lamentável. O preço está alto. O governo deveria diminuir o imposto da gasolina e ter um estoque regulador de álcool para evitar especulação em época de escassez. O diretor do Sindicombustíveis em Londrina, Valter Sasso, acredita que a média de aumento no preço da gasolina seja de R$ 0,06 e, no do álcool, de R$ 0,15. Esta será a terceira vez que vamos jogar o Proálcool por terra. É uma vergonha. Este tipo de aumento deixa o dono do carro a álcool inseguro.


