Consumidor antecipa compras de Natal
PUBLICAÇÃO
sábado, 30 de novembro de 1996
Carmem Murara<br> Sucursal de Curitiba 
O comércio curitibano se prepara para antecipar as vendas de final de ano. A partir do próximo final de semana grande parte das lojas do centro da cidade começa a abrir, inclusive aos domingos, e fechar somente após às 22 horas. Nos shoppings, a abertura nos finais de semana já está valendo. A previsão de venda antecipada dos lojistas foi feita com base no volume de pessoas que tem circulado pelas ruas. A liberação da primeira parcela do 13º salário, feita ontem, é outro fator que já começou a aquecer as vendas.
A vendedora Luciane Gomes de Souza, do Shopping das Flores, no centro de Curitiba, diz que o movimento aumentou em pelo menos 50% desde a semana passada. Só de ficar olhando para fora a gente vê que tem muito mais gente passando por aqui, conta a vendedora. Ela diz que a maior procura é por presentes pequenos e de baixo valor. Os produtos natalinos, como luzes e enfeites para árvore de Natal, também são bastante procurados.
A dona de casa Marisa Paz da Rocha é uma das consumidoras que não quer saber de deixar as compras para a semana que antecede o Natal. Com a lista dos presentes encomendados pelos filhos Cleverson e Cleyton, ela saiu às ruas para fazer a primeira pesquisa de preço. Estou pesquisando para mim e para a minha cunhada. A primeira avaliação de Marisa é que os preços estão estáveis em relação ao ano passado.
O gerente de vendas do Ponto Frio, Irineu Faria, garante que os produtos não tiveram muita alteração nos preços do último Natal para este ano. Não mudaram os preços nem as taxas de juros para pagamentos a prazo. A Ponto Frio pratica juros que variam de 4,5% a 6%, conforme o plano de pagamento. Algumas lojas chegam a ter taxas de até 12%, enquanto a poupança continua com índices médios de 1%.
Faria diz que a quase totalidade dos compradores prefere pagar as contas em prestações. Noventa por cento dos nossos clientes querem tudo a prazo, conta o gerente.
Mas alguns consumidores aprenderam que taxa de juro maior que 1% pode ser prejuízo. Eu não quero saber de prestação, porque daqui a seis meses fica fogo para pagar, reconhece a funcionária pública aposentada Lurdes Maria Vaz. Com sacolas na mão, ela diz que quer comprar os presentes natalinos logo, antes que o preço deles subam. O chefe de tráfego de uma empresa de ônibus Dagoberto Arantes também diz que não pretende comprar nada a prazo por causa dos juros altos. Já encontrei lojas com taxas de 10%, conta.
Assim como no ano passado, o maior movimento de consumidores deve acontece na última semana que antecede o Natal. Na última semana, a gente vende um quarto do total do mês de dezembro, diz o sócio gerente da Vestport, Domingos Ribeiro.


