Os produtores já estão recebendo menos pelo feijão, mas nas gôndolas dos supermercados o preço da leguminosa continua alto. Em um ano, o custo médio do quilo do feijão carioca no varejo estadual foi reajustado em mais de 150%, saindo de R$ 1,78 o quilo em fevereiro de 2007 para R$ 5,63 no mês passado. Segundo pesquisa feita pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Agricultura, este preço, inclusive, é o maior valor nominal registrado desde o início do Plano Real, em julho de 1994. Em Londrina, o custo do quilo do feijão carioca, variedade mais consumida na cidade, está entre R$ 3,50 e R$ 6.
No mês passado os preços recebidos pelos produtores caíram cerca de 13% com relação a janeiro. Em média, a saca de 60 quilos da leguminosa foi comercializada por R$ 153,70 contra R$ 177,23 obtido em janeiro. A queda da cotação ocorreu devido ao início da segunda safra, mas a tendência é que o mercado continue firme. Os preços registraram alta expressiva a partir do último trimestre do ano passado, quando a área plantada caiu 30% com relação à safra anterior, na época puxada justamente pela baixa cotação. O Paraná é o maior produtor de feijão do Brasil.
Agora, com preços ainda altos, a avaliação de técnicos do Deral é que uma parcela dos consumidores passe a consumir o feijão preto, que está mais barato. ''Esse comportamento estimulou o aumento de preço do feijão preto que, no varejo estadual, estava metade (do preço) do feijão carioca'', avalia a engenheira agrônoma do Deral Margorete Demarchi. No mês passado os produtores passaram a receber 13,1% mais pela saca de 60 quilos, que saiu de R$ 98,66 para R$ 111,57. Além disso, muitos consumidores também optaram pelo redução do consumo do feijão carioca.
Esta foi a atitude da dona-de-casa Mara Albina Felipe. ''Estou economizando, antes comprava quatro quilos, agora só compro três'', disse. Ele afirmou que tem comido menos feijão para deixar para o marido, que não dispensa o prato. A sua mãe Sebastiana de Oliveira também optou pela economia. Na sua casa o consumo antes da alta era de oito quilos e foi reduzido pela metade. ''O preço do feijão está um absurdo faz tempo. O preço chegou a cair um pouco, mas subiu de novo'', reclama. A dona-de-casa Terezinha Carolina Ferreira de Oliveira verificou o preço da leguminosa em um supermercado na última sexta-feira, mas preferiu não comprar.
''O preço está muito caro, tem que abaixar. Por enquanto, estou fazendo menos'', comentou Terezinha. Já a consumidora Adélia Yukie Watanabe não tem como economizar. Ela é proprietária de um restaurante, onde não pode faltar o prato. E o preço da comida não pode ser reajustado porque, se não, os clientes reclamam. ''Tento recuperar comprando outros produtos nas promoções, aproveitando as ofertas'', observou. Adélia ainda acrescentou que a qualidade do feijão não está boa, devido às constantes chuvas ocorridas no Estado.
Safra - Os altos preços do feijão no mercado estimulou os produtores a aumentar o plantio nesta segunda safra (que começou no início do ano). A área plantada cresceu 41%, segundo levantamento do Deral, atingindo 207.628 hectares. A produção esperada é de 356 mil toneladas, se as condições climáticas favoreceram. O Paraná tem três safras mas, na primeira (encerrada no final do ano passado), houve uma redução na área plantada devido aos baixos preços recebidos no primeiro semestre do ano passado. A produtividade média das lavouras foi de 1.463 quilos por hectare, 9,1% acima da média dos últimos cinco anos. Contudo, o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, afirmou recentemente que os preços do feijão devem recuar a partir de abril, quando começa a colheita da segunda safra no Paraná.

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