Brasília - Apesar dos sinais de recuperação da indústria e da atividade econômica, além da redução nos índices de desemprego, os consumidores ainda estão pessimistas em relação à economia. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (Inec) teve queda de 2,3% em junho, em relação à pesquisa de março. O índice, que mede a confiança dos brasileiros quanto ao nível de satisfação com a vida, a perspectiva para o resto do ano, as compras, o mercado de trabalho e as expectativas futuras de inflação e renda, foi fortemente influenciado pelo pessimismo quanto a inflação.
É a segunda queda consecutiva do índice. Na pesquisa divulgada em março, o Inec já havia caído 4,8% em relação a dezembro. Em comparação com o mesmo período do ano passado, a queda no índice geral é ainda mais forte e chega a 7,7%.
Segundo o coordenador da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, a queda na confiança do consumidor foi uma ''surpresa'', já que vários outros indicadores mostram melhora no cenário econômico. A expectativa da entidade, no entanto, é de que esse pessimismo comece a se reverter na próxima pesquisa, a ser divulgada em setembro. ''Há neste momento um certo descompasso entre produção e consumo porque o consumidor é muito racional, ele só reage quando sente os efeitos positivos no seu bolso'', disse o economista.
Castelo Branco admitiu que o índice de confiança isoladamente não é ''muito encorajador'' para os empresários. Ele defende que a análise não seja dissociada dos outros indicadores econômicos. ''Acreditamos que essa percepção do consumidor vai se reverter no terceiro trimestre, mas é importante que os empresários se preparem para um crescimento do consumo moderado este ano'', afirmou.
Preços - A evolução de todos os itens perguntados aos entrevistados - que compõem o índice geral (Inec) - foi negativa no segundo trimestre do ano em relação ao primeiro, mas as expectativas em relação à inflação nos próximos seis meses foram as piores, com 5,5% de queda. Para Castelo Branco, isso é reflexo dos recentes aumentos nos preços dos combustíveis e a perspectiva de novos reajustes nas tarifas públicas, como telefone e transporte urbano.
Entre os pesquisados, 59% acreditam que a inflação vai aumentar no próximo semestre, contra 51% que achavam isso em março, e 13% esperam queda, contra 14% da pesquisa anterior.
No mercado de trabalho, apesar de o indicador ter apontado uma pequena redução (0,9%) no medo do desemprego, aumentou de 9% em março para 12% em junho o porcentual dos entrevistados que disseram já estar desempregado. As expectativas de crescimento da renda geral até o final do ano caíram 2,7% e as intenções de compras nos próximos três meses recuaram 2,2%. Também caíram os indicadores de perspectivas para o resto do ano (-5%) e de satisfação com a vida (-1,8).

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