Uma pesquisa do Instituto Qualibest, feita com 1.684 internautas, retratou a desinformação popular. Oitenta e nove por cento dos entrevistados admitiu saber pouco ou nada sobre a TV digital. Ao mesmo tempo, 67% disseram estar bastante interessados na tecnologia. ''Imaginávamos que as pessoas não saberiam muito'', disse Daniela Daud, diretora do instituto. ''Elas sabem o básico: que o sistema está sendo lançado, e que vai melhorar a imagem da TV.''
A briga do ministro das Comunicações, Hélio Costa, com a indústria teve reflexos na opinião pública. No ano passado, ele prometeu conversores a R$ 100 e agora, pouco antes do lançamento, começou a criticar os fabricantes, que colocaram no mercado equipamentos com preços a partir de R$ 500. A maioria dos consumidores (56%) está disposta a pagar até R$ 200 pelo set-top box. Somente 5% aceita pagar mais de R$ 500. Cerca de 44% disseram que vão esperar o assunto amadurecer mais para adquirir o conversor.
A primeira loja a receber o espaço de demonstração é o Extra do Morumbi, na quarta-feira. ''As pessoas vão poder comparar a imagem dos canais analógico e digital'', disse William Lima, gerente de Produtos Bravia, da Sony. ''Existe uma confusão muito grande'', apontou Pedro Janot, diretor-executivo de Não-Alimentos do Grupo Pão de Açúcar, do qual faz parte a rede Extra. ''O ministro fala para não comprar. Alguns veículos de comunicação dizem que não vai funcionar.''
A TV digital brasileira tem como base o padrão japonês. Foi atualizada a tecnologia de compressão de vídeo (um novo padrão, chamado H.264, substituiu outro, o MPEG-2) e adotado um software de interatividade desenvolvido no Brasil, batizado de Ginga. Por causa disso, teoricamente não adiantaria importar aparelhos japoneses, pois eles não funcionam no Brasil. Como disse Amaral, da TVA, ''é um padrão nissei''. (R.C.)

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