Boletim da MCM Consultores associados divulgado ontem prevê que a taxa de desemprego aberto no próximo ano deve ficar na média anual próxima de 7%, com o pico do desemprego sendo atingido no mês de maio (8,12%). Nessa estimativa, a consultoria estima que a indústria de transformação terá um crescimento em torno de 0,9% para o próximo ano.
O relatório destaca também que o ajuste econômico vai agravar as demissões na indústria de duráveis, especialmente no setor automobilístico, que já vinha com menor fôlego nas vendas. Segundo o IBGE, o desemprego aberto médio nos nove primeiros meses deste ano ficou em 6,24% da PEA (População Economicamente Ativa). No mesmo período do ano passado, a taxa foi de 6,13%.
Segundo o relatório, o desemprego reage com um atraso de dois a três meses aos movimentos da produção industrial. Nesta questão de desemprego, o relatório compara o atual momento com os últimos meses de 1995. A economia brasileira crescia a uma taxa de 10% no início daquele ano. A taxa de desemprego no primeiro trimestre de 95 era de 4,4% da PEA. Com a crise mexicana, os investidores estrangeiros fizeram uma corrida para retirar seus dólares do Brasil, levando o governo a elevar os juros, para dar incentivos a permanência destes investidores no país. O governo também colocou freios na oferta de crédito, para controlar as importações, derrubando a demanda. A consequência foi que o desemprego subiu para 6,1% no ano seguinte, lembra o relatório.
Juro Segundo avaliação da MCM, as dificuldades dos países da Ásia devem ficar mais restritas à própria região, sendo pouco provável que haja uma deterioração suficientemente forte nestes países para abalar os mercados mundiais. A consultoria avalia que há uma tendência de descolamento das bolsas latino-americanas em relação à economia da Ásia. O dinamismo dos mercados latinos revelou uma maior sintonia com o mercado americano, afirma o relatório.
Apesar da melhora do quadro externo e doméstico, o Banco Central no Brasil deverá ter uma postura mais conservadora na definição dos juros para janeiro, porque o nível de risco do país ainda é elevado, em comparação com o patamar anterior a crise de outubro, na avaliação da consultoria. A MCM trabalha com uma TBC (Taxa Básica do Banco Central) de 2,69% ao mês (ou 37,5% ao ano) para a abertura do próximo ano.

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