São Paulo A expectativa da LCA Consultores é de que, na virada do ano, a taxa de câmbio volte para o nível de R$ 3, pondo fim a um período de apreciação que surpreendeu pela prolongada duração. A afirmação é do economista-chefe da empresa de consultoria, Luís Suzigan, que deu razão aos empresários que se queixam da taxa. Mais do que retirar a competitividade do produto nacional, o economista ponderou que a ''falta de previsibilidade'', com os altos e baixos do dólar, é o que realmente complica o planejamento de vendas do exportador.
A apreciação do real frente ao dólar veio, segundo ele, em decorrência de três fatores: 1) demanda doméstica muito mais fraca do que a esperada. Até o início deste segundo semestre, os economistas projetavam uma alta do PIB de 1% neste ano; 2) demanda internacional forte, com crescimento expressivo das exportações brasileiras; 3) a forte desvalorização do dólar frente a outras moedas, principalmente o euro.
De janeiro de 2002 a outubro deste ano, valendo-se da taxa média de câmbio, o dólar ante ao euro teve uma desvalorização nominal de 32%. Neste mesmo período, o real frente ao euro teve uma desvalorização nominal de 58%. Já o real ante ao dólar sofreu uma desvalorização nominal de 20% entre janeiro de 2002 a outubro de 2003.
Segundo Suzigan, há razões para acreditar que o câmbio estará mais pressionado nestes últimos dois meses do ano. Sazonalmente, é período forte para importações. Por outro lado, Suzigan acredita que algumas rubricas das contas internacionais, como a relativa a despesas de turistas no exterior, terão alta expressiva. Ele citou ainda o volume alto de vencimentos do setor privado em dezembro, que somam US$ 4 bilhões, contra valores que oscilaram entre US$ 1,2 bilhão e US$ 2 bilhões entre agosto e novembro.
No final do ano, as empresas estrangeiras remetem lucros às matrizes, o que é mais um elemento de pressão, de acordo com Suzigan. E, deve-se esperar ainda que o Tesouro Nacional antecipe a compra de moeda para saldar pagamentos relativos a 2004. A depreciação do real só não viria se o volume de captações externas for elevado, o que sazonalmente não ocorre em dezembro.
A partir de 2004, a dinâmica da reativação econômica contribuirá para manter o câmbio pressionado. Na média do próximo ano, a LCA Consultores projeta um câmbio de R$ 3,20 a R$ 3,25. Neste nível, a expectativa é de que as exportações tenham um crescimento entre 5% e 7%, enquanto as importações aumentarão de 12% a 15%. Excluindo-se os combustíveis, as importações poderão crescer até 18%.
Mesmo assim, a projeção para o saldo da balança comercial projetado para o fechamento de 2004 oscila entre US$ 18 bilhões e US$ 20 bilhões. Valor considerado por Suzigan como ''bastante confortável'', já que implicaria num déficit de 0,5% em relação ao PIB no saldo de conta corrente em 2004. O economista-chefe da LCA descarta, em contrapartida, que o Banco Central venha a fazer intervenções no mercado para puxar uma alta do câmbio.

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