Curitiba- Os empresários e consultores ligados ao setor de exportação agrícola acreditam que a fila voltou ao cenário de Paranaguá por outros motivos. Para o consultor da empresa Safras e Mercado, Paulo Molinari, o que teria provocado o excesso de caminhões no porto seria o atraso na colheita de milho e soja em função das chuvas. ''Janeiro e fevereiro foram meses muito chuvosos e isso tem atrasado o embarque dos grãos'', disse. A colheita do milho e da soja começa no final de janeiro e vai até maio.
A cotação da saca de 60 quilos de soja no porto está em R$ 34 a R$ 35 e a do milho em R$ 21,50. ''A cotação melhorou porque estes produtos valorizaram na Bolsa de Chicago. Os preços são considerados bons principalmente para a soja'', explicou.
''Não há como não formar fila, a não ser que os portos fossem cobertos'', disse o diretor geral da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), Sérgio Mendes. Para ele, as filas são inevitáveis nos portos brasileiros que, em sua maioria, não acompanharam a evolução das exportações. Segundo ele, em 1996 o Brasil exportava 3,6 milhões de toneladas de soja, dez anos depois este volume passou para 25 milhões de toneladas e com a mesma estrutura dos portos.
De acordo com Mendes, um navio é carregado com 70 mil toneladas de grãos. Para encher um navio são necessárias 2 mil carretas com 35 toneladas cada uma. Cada carreta tem 33 metros de comprimento e 2 mil gerariam uma fila de 66 km. ''Se tiver dois dias de chuva, a fila de caminhões passa de Curitiba'', prevê.
Ele destacou que o porto não teve problemas com filas durante dois anos em função da proibição dos transgênicos que foi liberada no ano passado. Para Mendes, a única forma de não ocorrerem filas é ter bolsões independentes para cada terminal fazer a armazenagem. Ele lembrou que, as filas de navios geram pagamentos de estadia diária no valor de US$ 45 mil por dia e por navio, é a chamada demurrage. Para ele, a programação de navios não resolve o problema. ''Não existe matemática capaz de solucionar um problema destes, resolveria se tivesse armazenagem suficiente'', disse.
O presidente da Associação Brasileira de Terminais Portuários (ABPT), Wilen Manteli, disse que ontem havia vários caminhões querendo desembarcar soja transgênica no silo público, o que não é permitido pela Appa. Os terminais privados entraram com ação na Justiça para liberar o embarque de soja geneticamente modificada. Ele lembrou que a Appa perdeu na Justiça de primeira instância, no Tribunal Regional Federal da 4 Região em Porto Alegre e no Supremo Tribunal Federal (STF). ''Isso (a proibição de armazenagem de soja transgênica no silo público) é uma afronta à União. Se a lei é federal o Estado do Paraná tem que atender'', disse. Segundo ele, ontem os terminais e operadores portuários estavam reunidos em Paranaguá para tentar encontrar uma solução para o problema. (A.B.)

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