Em um mundo com muito dinheiro as pessoas devem aprender a ''fazer dinheiro''. A expressão não é nova, mas no mundo globalizado os brasileiros estão mais acostumados a ganhar e a gastar dinheiro. É a afirmação da consultora Glória Maria Garcia Pereira, que estuda educação e finanças pessoais há mais de dez anos. Hoje de manhã, ela ministra palestra na Universidade Metropolitana sobre o tema para profissionais de recursos humanos. A promoção é da Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento do Paraná.
Glória Maria é autora de vários livros sobre educação financeira, ministra treinamentos em empresas e dá aulas em cursos de MBA para profissionais. Segundo ela, às organizações não cabe mais somente pagar os salários, mas devem também ensinar os colaboradores a educação financeira para que estes não acumulem dívidas. O nível de endividamente é preocupante. A consultora comenta que uma pesquisa da Fecomércio, feita em São Paulo, indica que 60% das pessoas têm alguma dívida difícil de pagar. ''Os brasileiros ficam entre o ganhar e o gastar porque não conhecem a linguagem do dinheiro'', comenta.
A ''linguagem do dinheiro'' é feita por cinco verbos: fazer dinheiro, negociar, lucrar, sonhar e investir. ''Atualmente temos um excesso de liquidez. As pessoas compram o que pouco precisam ou o que não querem'', afirma Glória Maria. Por isso, a recomendação é que as pessoas vendam os produtos que não necessitam mais, prática comum em países como Estados Unidos e Canadá. ''Muitas empresas e pessoas não sabem lucrar. Essa é a causa da grande mortalidade de microempresas nos primeiros anos. E se alguém não souber lucrar, não pode sonhar e não pode investir'', observa.
A partir do sonho, a pessoa consegue guardar algum dinheiro em aplicações financeiras. ''Investimentos a curto prazo devem ter certo risco porque o retorno é maior, mas os brasileiros têm medo disso e não aprendem'', diz a consultora. Na sua avaliação, a falta de educação financeira é um ''complexo cultural'', existente desde a época do Brasil colonial. ''Tivemos ainda a indústria paternalista, em que muitos trabalham para poucos; temos a cultura religiosa, que é a 'cultura da pobreza'. Por isso, precisamos ensinar os pobres a deixar de ser pobres'', afirma.
Segundo ela, esta já seria a mentalidade existente em várias grandes empresas, que enxergam nas famílias de baixa renda potenciais consumidores. ''A inadimplência vai impedir as pessoas de continuar comprando. Se todos tiverem mais dinheiro, o consumo irá aumentar'', salienta. Para os endividados, as dicas são: ''vender a dívida'' e investir o dinheiro. A sugestão é negociar com uma financeira, com juros menores, todo o valor da dívida e quitar com os demais. O segundo passo é buscar outra rentabilidade, em clubes ou fundos de investimentos da Bolsa de Valores.

Serviço - A palestra com a consultora Glória Maria Garcia Pereira está marcada para hoje às 8h30, na Universidade Metropolitana. A inscrição pode ser feita antes da palestra e o custo é de R$ 10.

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