Muito se fala na capacidade de liderar, mas ainda há algumas inabilidades a serem superadas pelos líderes dentro da empresa. Fazer um encontro entre o propósito da pessoa com o propósito da organização é, sem dúvida, um bom resultado de uma ação de liderança. A consultora em RH da Alba Consultoria de São Paulo, Rosa Bernhoeft, costuma dizer que o líder é um grande formador de desapego.
''Não se apegue às fórmulas antigas. Realize, construa, reconstrua se for o caso, mas não se apegue'', recomenda Rosa. Se o líder souber trazer isso para dentro de um grupo, ele está cumprindo parte do seu papel já que esse ''intermediador'' dentro da empresa é, também, um grande construtor de emocional. ''O líder pode trabalhar para a construção das possibilidades como para construir a desgraça'', enfatiza a especialista em identificar o potencial e competência na pessoa. Entre seus clientes há artistas, empresários, políticos, atletas, pilotos de Fórmula 1. Dizem que até o presidente Lula já passou pelas mãos dela, mas com discrição Rosa prefere não citar nomes. ''Sou uma mentora de pessoas'', brinca a consultora.
Graduada em Educação pela Universidade de San Marcos, no Peru, com especialização em Psicologia Social e Organizacional no México, Rosa esteve esta semana em Londrina proferindo palestra sobre ''Liderança, Competência e Potencial'', no IV Fórum de RH - Gestão da Empresa Familiar. Ela acrescenta que a grande inteligência do líder é criar o poder e permitir que as pessoas tenham idéias. ''As pessoas são fontes inteligentes com potencial para a organização. O líder está tão convencido de que o modo dele é o certo que ele acaba tendo dificuldade de se auto-processar, de se rever. Chega a um ponto que ele pensa que sabe tudo'', afirma a consultora. E é a partir desse momento que ele deve rever sua postura e se tornar mais flexível.
Feedback - Um aspecto um tanto negativo, segundo Rosa, que acaba isolando o líder dentro de uma empresa é a falta de feedback, até porque sua postura não permite que as pessoas se aproximem. ''Ninguém se aproxima do líder, por exemplo, para dizer que ele está feio, gordo. Sem o feedback, ele perde a humildade e a oportunidade de expressão''.
Em contrapartida, um exercício fundamental para se manter na liderança, salienta a consultora, é o autoconhecimento permanente. ''Isto significa fazer uma autocrítica. Ter a humildade e reconhecer que não sei tudo. Eu preciso aprender, eu posso aprender com meus colaboradores''.
Entretanto, são os ''resultados'' que têm sido a pedra no caminho dos líderes. Quando o líder vai atrás somente de resultados há uma grande diferença. A liderança não pode estar atrelada só à questão de resultados técnicos. ''Se o líder coloca como meta o resultado, ele perde essa condição de liderança porque ele está se preocupando somente com si e se esquecendo de um propósito maior que seria o de trazer benefícios às pessoas e à sociedade. É preciso ter essa clareza de propósitos'', afirma Rosa Bernhoeft.
Outro ponto importante da liderança, salienta ela, é estar para servir. '' Ele está a serviço de um grande propósito, de um grupo que precisa dele para ser servido''. Ele tem que pensar: eu, como líder, estou a serviço de um propósito comum. Estou a serviço da sociedade e esse é meu verdadeiro papel''.
Segundo Rosa Bernhoeft, existe todo um processo de associação de liderança com a estrutura organizacional o que contribui para esse modelo patriarcal atual e pouco democrático, mas espera-se que o líder consiga dentro da organização criar modos. Segundo Rosa, uma pesquisa feita pela consultoria junto aos presidentes de empresas apontou que 89% pensam que o fator de sucessão é a grande capacidade do líder.

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