Consultora da Abit apresenta novas tendências
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terça-feira, 21 de setembro de 2004
Vera Barão<br> Reportagem Local 
A indústria brasileira da moda tem que deixar aquela idéia de que lá fora se compra qualquer roupa a qualquer preço. A moda no Brasil é nova e o País caminha para se tornar exportador no setor. O recado é da consultora em moda Aissa Basile, gerente do núcleo de moda da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), que proferiu palestra ontem com o tema Tendências - Inverno 2005, durante o Estação Fashion Londrina, evento de moda e negócios direcionado à divulgação do pólo confeccionista do Norte do Estado.
Sem revelar números, a consultora diz que o Brasil tem uma participação pequena no mercado externo, mas caminha para ser um país exportador. ''Hoje, o confeccionista fecha uma caixa com 200 biquínis e manda para fora do País. Fazer uma venda é bem diferente do que exportar. Estamos nos capacitando agora, pagando para aprender. Agora é que nosso mercado está sendo conhecido lá fora'', observou Aissa, que é autora do livro ''Como Pesquisar Moda na Europa e nos Estados Unidos''.
Dados da ABIT apontam que o mercado externo da indústria têxtil e de confecção rendeu US$ 198 milhões em agosto. O valor é 39,5% maior do que o de igual mês em 2003 e 11,2% superior aos US$ 178 milhões obtidos em julho. Com isso, o Brasil está entre os 10 países que mais exportam moda.
Para ampliar as exportações, em primeiro lugar, adianta a consultora, que trabalha há 27 anos na área de pesquisa e desenvolvimento de produtos para o setor, o confeccionista precisa ter uma produção que permita vender tanto para o mercado interno quanto para o externo. ''Quem não atende bem o mercado interno, não vai atender bem o mercado internacional'', enfatiza Aissa.
Segundo ela, é imprescindível conhecer mercados diferentes, culturas diferentes, situações e se adequar às tendências da moda. ''Não adianta querer ganhar o mundo com um produto só'', afirma a consultora, que tirou dúvidas de confeccionistas londrinenses e deu dicas sobre as tendências para a próxima coleção.
Acompanhar as tendências, como cor, tecidos, estampas é fundamental para o confecionista realizar boas vendas e evitar prejuízos. A informação da moda, ressalta Aissa, não vem só para atualizar, mas sobretudo para dar segurança ao confeccionista na hora da compra. ''As novelas têm um grande compromisso com o novo e a moda nada mais é do que isso. Numa coleção não pode ter somente calças com boca larga. A mulher é uma pela manhã e pode ser outra à noite e, para isso, é necessário um mix de produtos a oferecer'', completou a consultora, acrescentando que desta forma a indústria brasileira acaba atingindo diversos nichos no seu segmento com produtos para todos os bolsos e gosto.
A Overloque, uma das confeccionistas que participa do evento, lança hoje uma coleção voltada para a mulher moderna e que privilegia uma moda autoral e arrojada. As peças priorizam as fibras naturais, as cores vivas, e as estampas, uma das características da grife, marcam forte presença nas propostas para o verão. O evento prossegue hoje, no Centro de Eventos, com mais palestras, desfiles e rodada de negócios.


