A vinda de novas empresas para o Estado deverá provocar mudanças que não pouparão nem mesmo os altos executivos paranaenses. Quando começarem a funcionar, as novas indústrias estarão, acima de tudo, instalando no Paraná novos conceitos de competência profissional. E a nova ‘‘medida do sucesso’’, segundo o headhunter Simon Franco, será aplicada a todos os níveis de trabalhadores, incluindo até mesmo os que ocupam altos cargos de comando.
O headhunter comenta que a instalação das montadoras e das empresas satélites (fornecedores) deverá potencializar a concorrência entre os executivos, que até então ocupavam posições mais confortáveis nas instituições. Este acirramento da competitividade deverá ser provocado, num primeiro momento, pelos novos empresários que serão trazidos ao Estado. ‘‘O Paraná possui executivos bem preparados, mas em número insuficiente para atender toda a demanda’’, diz. Com a chegada de novos profissionais, explica Franco, passarão a existir outros padrões de comparação, muito mais apurados que os atuais.
Ao contrário do pânico que costuma atingir todos aqueles que se vêem diante de uma súbita mudança, o especialista recomenda ‘‘ação’’ para tentar reverter os prejuízos. ‘‘É inevitável que haja uma certa neurose, mas o importante é aproveitar o estímulo e correr atrás de mudanças’’, ensina Franco, que esteve ontem em Curitiba em uma palestra promovida pelo Instituto Brasileiro de Mercados de Capitais (Ibmec). Ele também lançou seu último livro, ‘‘Criando seu Próprio Futuro - O Mercado de Trabalho na Era da Competitividade Total’’, considerado um guia prático de preparação para o novo cenário da economia.
Simon Franco acredita, no entanto, que a permanência de executivos de outros Estados e países no comando das instituições será passageira. Ao contrário da filosofia vigente na década de 70, quando houve um processo de colonização empresarial, a política atual das multinacionais é investir no treinamento de executivos locais - considerados os maiores conhecedores do mercado-alvo de determinada empresa. ‘‘O executivo brasileiro, hoje, é visto como um parceiro, e não como alguém que precisa ser comandado’’, diz.
Além de perseguir o aprofundamento técnico, o especialista defende também a adoção de novos padrões comportamentais como uma das principais garantias de conquista e manutenção de um emprego. Segundo Franco, as empresas procuram pessoas bem-preparadas para o desempenho de suas funções, mas também pretende ter entre seus funcionários um agente de mudanças. ‘‘É preciso ter coragem de perguntar, de questionar a cultura da organização’’, explica, usando o exemplo de um funcionário ideal como alguém com o perfil de ‘‘insultor interno’’.
Franco comenta que o número de empresas brasileiras que contratam os serviços dos headhunters tem crescido. Há trinta anos, segundo o especialista, apenas as empresas multinacionais costumavam utilizar os ‘‘caçadores de executivos’’ para orientar suas contratações. Hoje, 70% dos clientes dos headhunters são empresas nacionais.

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