Milton DóriaDesinformaçãoHaruo Wada e Ney de Oliveira King, do IBQP: empresário brasileiro não conhece o mercado globalO empresário brasileiro precisa conhecer muito bem os outros mercados, valorizar mais o consumidor e se esforçar para enfrentar melhor os concorrentes. Já o consumidor brasileiro, que não sabe qual a qualidade de produtos ou serviços que pode ter, precisa se educar, ou seja, descobrir o que quer e exigir. Também deve comparar o produto nacional com o importado para não trocar ‘‘seis por meia dúzia’’ ou até comprar, por ignorância, um produto de qualidade inferior ao nacional.
Quem analisa, ou recomenda, é um especialista em mercado global: Haruo Wada, economista do Jica (órgão do governo japonês para assuntos da Qualidade) e consultor do IBQP (Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade). Ele veio falar sobre a ‘‘Excelência do modelo japonês de produtividade’’, na 1ª Semana Paranaense de Qualidade Sebrae/Folha, em Londrina.
Em visita à Folha, ontem, ele explicou que o Japão pós-guerra viu na Qualidade a única saída para levantar o país e concorrer com a economia ocidental. Foi assim que surgiu o JPC, um centro de produtividade que recebeu recursos dos EUA e ganhou fama no mundo. Os que mais procuram o JPC são os asiáticos e, em data mais recente, os brasileiros.
‘‘Nós, do JPC, estamos enfocando mais a produtividade, mas não só em termos de eficiência; buscamos produção mais humanidade’’, comenta o analista, acrescentando que o objetivo do Jica é estabelecer organizações-irmãs no mundo com o apoio do governo japonês. É o Jica quem assina convênios como o que foi firmado no Brasil, em 95, com o IBQP. E foi esse convênio que trouxe Haruo Wada para Curitiba, há pouco mais de dois anos.
O IBQP, criação paranaense com sede em Curitiba, também foi tema de palestra, ontem, no auditório do Sindicato do Comércio Varejista de Londrina. Ney Cesar de Oliveira King, consultor do Instituto, se encarregou de explicar as propostas desse centro de referência e de disseminação da Qualidade no país.
‘‘Trabalhamos com os japoneses desde agosto de 95, numa parceria que visa a transferência de tecnologia através de palestras e que insiste em cinco pontos básicos: ‘chão de fábrica’ (a metodologia), qualidade, produtividade, relações humanas e indicadores’’ (mostram a evolução da empresa, dentro de parâmetros internacionais). O consultor disse à Folha que o IBQP está preparando pessoal para formar uma rede de multiplicadores no país, os chamados disseminadores da Qualidade. O Sebrae completa o tripé, dando apoio técnico e financeiro ao IBQP/Jica.
A programação continua, hoje, com o diretor-presidente da Chocolates Garoto, Helmut Meyerfreund, mostrando ‘‘As novas tendências do mercado no Brasil e no Mercosul’’. Amanhã, João Ademir Bechtold, gerente de manutenção e utilidade da Hering Têxtil, vai falar da ‘‘Implementação do sistema de gestão ambiental Hering Têxtil’’; e Osmar da Cruz Martins, gerente de Qualidade da Cotel - Comercial e Técnica de Eletricidade, de Maringá -, apresenta o case ‘‘Cotel, qualidade certificada’’.
A 1ª Semana Sebrae/Folha termina na sexta-feira com a palestra de Ana Ruta (presidente da Fundação do Prêmio de Qualidade) sobre ‘‘Os critérios de excelência do Prêmio Nacional da Qualidade’’. Logo em seguida haverá apresentação do Teatro da Qualidade Sebrae com a peça ‘‘Corra que o cliente vem a풒, encenada pelo grupo Lateri.

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