Consultor mostra armadilha dos juros
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terça-feira, 13 de outubro de 1998
Guto Rocha 
O custo financeiro para agricultura é aparentemente baixo, mas representa muito no lucro do produtor. A afirmação é do consultor, Paulo Afonso Rodrigues, da Afiplan - Assessoria Financeira e Planejamento Ltda., de Londrina que, com sua equipe de contadores e economistas, executa recalculos de dívidas bancárias. Segundo Rodrigues, o sistema de crédito rural no Brasil é uma verdadeira armadilha para os produtores que têm de enfrentar a capitalização dos juros incidentes sobre os recursos financiados.
Antes do Plano Real, os produtores que buscavam financiamento através do Crédito Rural pagavam no vencimento do contrato os juros previstos, mais os indexadores, como TR. Mas, observa Rodrigues, os Preços Mínimos garantidos pelo governo, também eram corrigidos. Em uma cédula rural, por exemplo, com uma inflação de 500% ao ano, o produtor pagava 20% do valor, mais a inflação do período. Agora, com a estabilidade, com juros para o setor que variam entre 5,75% e 8,75% ao ano, o agricultor paga taxas acima de 500%, com o detalhe de os Preços Mínimos não sofrerem correção, explica.
Capitalização dos juros Esta capitalização dos juros pelos agentes financeiros, segundo o consultor, significa menos dinheiro no bolso do produtor. Ele afirma, por exemplo, que um produtor de soja obtém um lucro de 20% sobre o volume colhido. Mas com os juros oficiais em torno de 8,75% ao ano, para uma inflação em torno de 1% ao mês, o agricultor terá de desembolsar no vencimento do contrato um valor 700% acima da inflação.
O maior problema, no entanto, são as dívidas remanescentes das imperfeições econômicas dos anos 90. O consultor observa que antes do Plano Real, a capitalização dos juros era mais representativa, uma vez que os indexadores acompanhavam as alta taxas de inflação. As securitizações realizadas com as imperfeições técnicas destas capitalizações inviabilizam a atividade.
Paulo Afonso afirma que um produtor de 1º de Maio, que teve um débito com o Banco Bamerindus recalculado, obteve na Justiça o direito de reaver o montante pago a mais por causa da capitalização dos juros. Com o recalculo, verificou-se, que a dívida que era de R$ 10 mil, se transformou em um crédito de R$ 100 mil, que o juiz condenou o banco a pagar ao produtor, comentou.
Produtores e cooperativas têm buscado a assessoria de técnicos para revisar suas dívidas. Neste processo, diz o consultor, se verifica todo o relacionamento financeiro entre produtor e o banco. O produtor que se sentir lesado pode recorrer ao recalculo. Inclusive os que perderam seus bens, podem solicitar a revisão da dívida a qualquer momento, comenta.
Com relação às dívidas securitizadas, afirma o consultor, os valores que já foram pagos também podem ser verificados na origem. Com a securitização, o governo já está facultando o direito de recalculo, comenta.


