Consultor do Sebrae/PR integra comitê que discute nova ISO
Heverson Feliciano ajuda a elaborar diretriz global para gestão de ecossistemas de inovação e contribui com experiência acumulada no Estação 43
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Heverson Feliciano ajuda a elaborar diretriz global para gestão de ecossistemas de inovação e contribui com experiência acumulada no Estação 43

Quando se olha para os ecossistemas de inovação do país, Londrina se destaca não apenas pelo volume de empresas, mas principalmente pelo seu modelo de organização segmentado e pela força de seus setores vocacionais. O Estação 43, o ecossistema de inovação local, é constituído por 12 governanças setoriais que atuam de forma integrada com base no conceito de quádrupla hélice, unindo empresas, universidades, poder público e sociedade civil.
Essa estrutura vem se fortalecendo ao longo dos anos e nesse processo o Sebrae tem papel fundamental e figura como um parceiro estratégico na consolidação de todo o ecossistema. O serviço de apoio às micro e pequenas empresas atua como um dos principais articuladores, estruturadores e impulsionadores do Estação 43, contribuindo para transformar a cidade em um polo tecnológico de destaque.
O alto nível de conhecimento, habilidade e competência em inovação garantiu ao Sebrae uma cadeira no comitê que discute a ISO 56012, futura norma internacional que está sendo desenvolvida pela ISO (International Organizatioin for Standardization) para fornecer diretrizes sobre a gestão de ecossistemas de inovação. E esse lugar será ocupado pelo consultor da área de inovação do Sebrae/PR, Heverson Feliciano. “No Brasil, quem monta a discussão (sobre a ISO 56012) é a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) e eu fui indicado pelo sistema Sebrae nacional”, contou.
O consultor disse ter ficado lisonjeado e enxerga o convite como um reconhecimento do trabalho desenvolvido pelo Sebrae dentro dos ecossistemas de inovação. “Londrina é uma referência em governanças setoriais e táticas e, certamente, contou pontos na minha indicação. A gente vive isso na prática. Sem falsa modéstia, em termos de capital social, governança, a gente tem muito para ensinar.”
Feliciano destacou a dimensão nacional que ganhou a metodologia de diagnóstico e análise criada pelo Sebrae local, em 2017. “A metodologia que aplicamos em Londrina está presente, hoje, em 216 ecossistemas do Brasil. É um trabalho de toda a sociedade.”
Os membros do comitê criado para elaborar a nova norma reúnem-se mensalmente sob a liderança global da sueca Annika Steiber, especialista em gestão e autora de livros sobre o modelo de inovação do Vale do Silício, nos Estados Unidos, e que exerce o cargo de diretora executiva do Rendanheyi Silicon Valley Research Center, o centro de pesquisa e plataforma educacional fundado pela executiva, em 2020. Steiber virá a Londrina em novembro para participar do ELI Summit 2026, a quinta edição do maior encontro nacional dos ecossistemas de inovação, que acontece entre os dias 24 e 26.
“Existe um grupo de trabalho liderado pela ABNT. São vários professores e pesquisadores discutindo a gestão dos ecossistemas, a interação entre diversos atores. (A ISO 56012) Não é um padrão de engessamento, é uma diretriz com o objetivo de guiar as governanças, avaliar os riscos e as vantagens de trabalhar em redes. É algo muito novo”, comentou Feliciano. Os trabalhos já foram iniciados e a expectativa é que a publicação final saia ainda no primeiro semestre de 2027.
O posicionamento do consultor do Sebrae no comitê é o de defesa da governança em múltiplas hélices. “Parece algo simples, mas na prática, é difícil. Às vezes, os ecossistemas são liderados pelo poder público, por empresas, por universidades. Não queremos jogar contra, mas defendemos uma lógica do ecossistema tocado a quatro mãos.”
Feliciano também apresentou ao grupo de trabalho o processo de análise do nível de maturidade dos ecossistemas criado pelo Sebrae. A avaliação é feita por uma pontuação que vai de zero a 30 e o resultado indica se o ecossistema está em evolução ou não. “O ambiente tem que ser favorável para que os negócios prosperem. Não é uma regra sempre crescente porque se o ecossistema deixa de atuar em algum ponto, a nota cai. Então, a gente consegue acompanhar se está evoluindo, se mantendo, avaliar onde precisa aprimorar e qual hélice precisa ser fortalecida”, explicou. “Essas serão as duas maiores contribuições metodológicas do Sebrae na nova ISO.”


Simoni Saris
Repórter com atuação nas áreas de Economia, Infraestrutura e Agronegócio.


