Quando se olha para os ecossistemas de inovação do país, Londrina se destaca não apenas pelo volume de empresas, mas principalmente pelo seu modelo de organização segmentado e pela força de seus setores vocacionais. O Estação 43, o ecossistema de inovação local, é constituído por 12 governanças setoriais que atuam de forma integrada com base no conceito de quádrupla hélice, unindo empresas, universidades, poder público e sociedade civil.

Essa estrutura vem se fortalecendo ao longo dos anos e nesse processo o Sebrae tem papel fundamental e figura como um parceiro estratégico na consolidação de todo o ecossistema. O serviço de apoio às micro e pequenas empresas atua como um dos principais articuladores, estruturadores e impulsionadores do Estação 43, contribuindo para transformar a cidade em um polo tecnológico de destaque.

O alto nível de conhecimento, habilidade e competência em inovação garantiu ao Sebrae uma cadeira no comitê que discute a ISO 56012, futura norma internacional que está sendo desenvolvida pela ISO (International Organizatioin for Standardization) para fornecer diretrizes sobre a gestão de ecossistemas de inovação. E esse lugar será ocupado pelo consultor da área de inovação do Sebrae/PR, Heverson Feliciano. “No Brasil, quem monta a discussão (sobre a ISO 56012) é a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) e eu fui indicado pelo sistema Sebrae nacional”, contou.

O consultor disse ter ficado lisonjeado e enxerga o convite como um reconhecimento do trabalho desenvolvido pelo Sebrae dentro dos ecossistemas de inovação. “Londrina é uma referência em governanças setoriais e táticas e, certamente, contou pontos na minha indicação. A gente vive isso na prática. Sem falsa modéstia, em termos de capital social, governança, a gente tem muito para ensinar.”

Feliciano destacou a dimensão nacional que ganhou a metodologia de diagnóstico e análise criada pelo Sebrae local, em 2017. “A metodologia que aplicamos em Londrina está presente, hoje, em 216 ecossistemas do Brasil. É um trabalho de toda a sociedade.”

Os membros do comitê criado para elaborar a nova norma reúnem-se mensalmente sob a liderança global da sueca Annika Steiber, especialista em gestão e autora de livros sobre o modelo de inovação do Vale do Silício, nos Estados Unidos, e que exerce o cargo de diretora executiva do Rendanheyi Silicon Valley Research Center, o centro de pesquisa e plataforma educacional fundado pela executiva, em 2020. Steiber virá a Londrina em novembro para participar do ELI Summit 2026, a quinta edição do maior encontro nacional dos ecossistemas de inovação, que acontece entre os dias 24 e 26.

“Existe um grupo de trabalho liderado pela ABNT. São vários professores e pesquisadores discutindo a gestão dos ecossistemas, a interação entre diversos atores. (A ISO 56012) Não é um padrão de engessamento, é uma diretriz com o objetivo de guiar as governanças, avaliar os riscos e as vantagens de trabalhar em redes. É algo muito novo”, comentou Feliciano. Os trabalhos já foram iniciados e a expectativa é que a publicação final saia ainda no primeiro semestre de 2027.

O posicionamento do consultor do Sebrae no comitê é o de defesa da governança em múltiplas hélices. “Parece algo simples, mas na prática, é difícil. Às vezes, os ecossistemas são liderados pelo poder público, por empresas, por universidades. Não queremos jogar contra, mas defendemos uma lógica do ecossistema tocado a quatro mãos.”

Feliciano também apresentou ao grupo de trabalho o processo de análise do nível de maturidade dos ecossistemas criado pelo Sebrae. A avaliação é feita por uma pontuação que vai de zero a 30 e o resultado indica se o ecossistema está em evolução ou não. “O ambiente tem que ser favorável para que os negócios prosperem. Não é uma regra sempre crescente porque se o ecossistema deixa de atuar em algum ponto, a nota cai. Então, a gente consegue acompanhar se está evoluindo, se mantendo, avaliar onde precisa aprimorar e qual hélice precisa ser fortalecida”, explicou. “Essas serão as duas maiores contribuições metodológicas do Sebrae na nova ISO.”

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