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Consultor do fundo Bordeaux fala dos próximos passos da Sercomtel

Para Hélio Costa, companhia tem condições de recuperar prestígio, mas finanças e ações trabalhistas são desafios a serem enfrentados logo de início

Mie Francine Chiba - Grupo Folha
Mie Francine Chiba - Grupo Folha

O grupo de investidores que adquiriram as ações da telefônica ainda não receberam a aprovação da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) para assumir a gestão da companhia. Porém, o grupo já realiza uma série de reuniões com setores estratégicos da empresa para traçar um plano estratégico e “colocar a casa em ordem”. A expectativa é que a anuência da Anatel saia nos próximos dias. 


Acertar as finanças da Sercomtel, em grande parte prejudicada pelo modelo de empresa estatal, é apontado por Hélio Costa, ex-ministro das Comunicações e consultor de Telecomunicações do grupo de investidores da telefônica e do fundo Bordeaux, do qual fazem parte, como prioridade neste plano. 


Consultor do fundo Bordeaux fala dos próximos passos da Sercomtel
Gustavo Carneiro/31-01-2020
 


Para ele, parte da dívida de R$ 45 milhões que a empresa tem com a Anatel, que ainda não está judicializada, pode ser negociada com a agência por meio de um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta), como já ocorreu com outras telefônicas, como a Oi, Claro e Tim. “Me recordo que, quando ministro das Comunicações, a Oi tinha que pagar uma multa que chegava a quase R$ 1,5 bilhão, e nós fizemos um TAC onde a empresa se comprometia a instalar banda larga em 62 mil escolas públicas do país. Existe um espaço muito grande que a gente pode sim ainda negociar com a Anatel.”


Outra preocupação do grupo de investidores é com as ações trabalhistas enfrentadas pela Sercomtel. São cerca de 400, mas em algumas situações, duas são de autoria de um mesmo servidor. Exemplo é o caso de um funcionário que moveu uma ação com o pedido de reintegração por entender que o PDV (Plano de Demissão Voluntária) não foi cumprido corretamente, e outra para reclamar horas extras devidas. Na visão de Costa, o PDV realizado pela Sercomtel foi mal executado. 


“Quando você chega no total que isso representa, estamos falando de R$ 78 milhões, dos quais R$ 52 milhões já têm decisões da justiça. Que precisam, devem, e serão pagos. Terão de ser pagos. São coisas que certamente a gente tem uma grande preocupação.”


Por outro lado, Costa, que foi o responsável por apresentar aos investidores um estudo que serviu de base para a decisão de apostar na companhia, considera a Sercomtel um ativo com condições de se recuperar financeiramente, de retomar a capacidade de fornecer serviços de telecom e de se tornar uma empresa até mesmo nacional.  


A intenção do grupo é que a telefônica participe do leilão do 5G, previsto para 2021. “Dessa vez, as frequências de 5G são divididas em lotes, poderão ser distribuídas pelo País inteiro para atender a regiões específicas, e temos todo interesse de termos uma participação no 5G”, explicou o consultor. De acordo com ele, em conversa com o ex-presidente da companhia, João Rezende, também ficou claro que a estrutura de 3G da operadora tem condições de receber um “upgrade” para operar com o 5G. “Nós estamos sabendo disso, podemos fazer esse upgrade, trabalhar para melhorar o trabalho de telefonia, um trabalho de banda larga, de dados, e trazer mais uma série de projetos que temos, e um dos nossos projetos estratégicos é transformar Londrina em uma cidade inteligente digitalmente.” 


FUNCIONÁRIOS

Sobre como fica o quadro de funcionários da telefônica com a nova gestão, o consultor afirmou que a intenção é manter pessoas que trabalham na empresa. Entretanto, a decisão vai depender do grupo que assumirá este trabalho no setor de RH (Recursos Humanos). “Precisamos das pessoas que conhecem a empresa, que trabalharam esses anos todos na empresa e sabem como fazê-la recuperar o seu espaço no setor de telecom. Nós contamos com esses funcionários, certamente com seus diretores que estão qualificados, capacitados para nos ajudar a resolver esses problemas.”


Investidores têm interesse no leilão da Copel Telecom

O grupo de investidores que comprou as ações da Sercomtel, integrantes do fundo Bordeaux, têm interesse em participar do leilão da Copel Telecom, previsto para acontecer em novembro. A informação foi confirmada pelo consultor de telecomunicações do fundo e do grupo, Hélio Costa. Porém, a participação efetiva no pregão vai depender das regras do edital.


“Há, sim, um interesse do grupo de investidores na Copel Telecom, até porque é uma empresa modelo que tem uma avaliação excepcional da parte da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) e do meio de telecom e certamente já tem uma associação com a Sercomtel de muitos anos. Afinal de contas, são os principais criadores dessa empresa com a Prefeitura de Londrina”, disse o consultor. “A nossa intenção é podermos disputar. Até porque temos vários investidores que hoje não fazem parte desse grupo (que comprou as ações da Sercomtel), mas que fazem parte do grupo de investidores do Bordeaux que certamente podem se interessar.”


Segundo Costa, o grupo teve informação de que eventualmente a Copel Telecom iria a leilão mais de seis meses atrás, e isso contribuiu para a decisão de participar do pregão da Sercomtel. “Se já existe uma relação profissional entre as duas empresas, nós sabemos que seria importantíssimo se no grupo que hoje está recebendo a Sercomtel pudéssemos também ter uma participação efetiva, senão completa, total, pelo menos societária com a Copel Telecom, que é uma empresa modelo.”


Na avaliação do consultor, diferentemente do leilão da Sercomtel, o pregão da Copel Telecom será altamente disputado. “Você pode ter certeza que as próprias empresas de telecom brasileiras estão interessadas, e as empresas de fora também, porque é uma empresa modelo, que tem qualificação atrás.”

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