Um aposentado entrevistado pela Folha em Curitiba revelou que estava negociando empréstimo com o ‘‘consultor financeiro’’ Ademir Moraes. Procurado pela reportagem, Moraes negou que estivesse negociando com o aposentado. Ele disse que não faz qualquer tipo de empréstimo a pessoas físicas ou jurídicas. ‘‘Eu sou apenas um intermediário entre uma empresa e um banco. As pessoas não sabem como formalizar um processo e eu ajudo’’, afirmou o consultor.
Ele diz que se compara a um despachante, ‘‘que leva e traz os papéis para viabilizar uma determinada operação bancária’’. O consultor diz que não cobra juros, apenas uma taxa por serviços prestados. Tanto a Caixa Econômica Federal quanto o Banestado afirmaram desconhecer a figura do ‘‘intermediário bancário’’.
Nervoso e sem querer dar detalhes do trabalho que faz como ‘‘intermediário bancário’’ ou despachante, Moraes ameaçou a Folha. ‘‘Eu tenho força política e posso processar vocês se algo for publicado’’, ameaçou.
Há mais de um ano, o Ministério Público investiga Ademir Moraes por crime de usura. O promotor de Justiça Ralph Luis Vidal Sabino dos Santos, da Promotoria de Defesa do Consumidor, informou que encaminhou o processo de Moraes para a Delegacia do Consumidor na metade do mês de agosto.
A delegacia analisa a possibilidade de abrir inquérito policial contra o consultor financeiro. ‘‘Ademir Moraes foi denunciado em 30 de junho do ano passado pela vítima Maria Beatriz. Ela conta que apesar de ter pago o empréstimo de R$ 1,2 mil com juros de 60%, teve um cheque pré-datado descontado posteriormente’’, afirmou o promotor. O processo que o Ministério Público encaminhou para a Delegacia do Consumidor tem o número 950.003.684-3.

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